Em Florianópolis, Geraldo Alckmin desafia Lula para 2018: "não seria ruim fazer um tira-teima" Marco Santiago/Divulgação

Foto: Marco Santiago / Divulgação

Com as cerca de 500 cadeiras do auditório Antonieta de Barros tomadas por militantes tucanos e um palco em que as lideranças do PSDB catarinense ganharam a companhia dos rivais PMDB e PP, o governador paulista Geraldo Alckmin foi protagonista de uma verdadeiro comício em Florianópolis

De olho nas eleições presidenciais do ano que vem, ele completou em Santa Catarina na manhã deste sábado um roteiro pelo Sul do País iniciado na noite de ontem em Porto Alegre. Antes da palestra "Momento político, gestão pública e perspectivas para o Brasil", promovida pelo PSDB-SC e pelo Instituto Teotônio Vilela, Alckmin concedeu uma breve entrevista coletiva em que reforçou o tom de pré-campanha do evento. Mostrou disposição de concorrer ano que vem e lembrou a experiência de 2006, quando chegou ao segundo turno contra Lula (PT) — na época presidente e candidato à reeleição. 

Hoje o petista lidera as pesquisas, mas corre o risco de tornar-se inelegível se o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmar a sentença do juiz federal Sérgio Moro que condenou Lula a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva. Alckmin disse que não se escolhe adversário, mas lançou o desafio.

— Não seria ruim fazer o tira-teima com o Lula — brincou.

Foto: Marco Santiago / Divulgação

O evento reuniu os principais nomes do PSDB catarinense — os senadores Paulo Bauer e Dalírio Beber, o presidente estadual e deputado estadual Marcos Vieira, o deputado federal Marco Tebaldi e os prefeitos Napoleão Bernardes, de Blumenau, e Clésio Salvaro, de Criciúma. Além deles, também atraídos líderes do PMDB e do PP — tradicionais rivais na política do Estado. 

Entre os peemedebistas, compareceram o vice-governador Eduardo Pinho Moreira, o deputado federal e presidente estadual Mauro Mariani e o senador Dário Berger. Representando os pepistas, o deputado federal Esperidião Amin (também presidente estadual do partido) e sua mulher Angela Amin, ex-prefeita da Florianópolis. Além dos políticos, o encontro também contou com a presença dos presidentes das federações empresarial e do comércio — Glauco Côrte pela Fiesc e Bruno Breithaput pela Fecomércio.

Alckmin falou por cerca de 25 minutos e depois respondeu perguntas da plateia. O tucano paulista rasgou elogios ao modelo econômico catarinense, citando a agricultura, a agroindústria, a diversidade industrial e o sistema fundiário como exemplos para o país.

— Santa Catarina tem inserção internacional, sabe jogar o jogo do século 21. O Brasil precisa ter inserção internacional, precisamos fazer muito mais acordos comerciais — avaliou.

O tucano argumentou que país precisa ganhar competitividade, apontando que o "Brasil ficou caro antes de ficar rico" e que viveu durante as gestões de Lula e Dilma Rousseff (PT) um ¿populismo destrutivo¿. Defendeu uma política de rigor fiscal para permitir a redução dos juros, corte de gastos no setor público e parcerias com o setor privado para investimentos. Apontou ainda o que considera ser novidade na política:

— O que é o novo? Não é ter 30 anos, 50 ou 70. Não é já ter sido candidato ou não ter sido candidato. O novo é defender o interesse coletivo, o interesse público. O Brasil foi dominado por corporações, dentro do aparelho do Estado e também no setor privado. Isso é inaceitável.

Após o evento, Alckmin tirou fotos com os militantes tucanos e gravou um depoimento em vídeo para a campanha eleitoral da cidade de Abelardo Luz, no Extremo Oeste, que terá eleição suplementar no dia 3 de setembro. Antes de voltar para São Paulo, ele almoçou com lideranças do PSDB catarinense.

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