Voluntários criam projetos para atender comunidades carentes que são alvos da violência em SC Felipe Carneiro/Agencia RBS

Psicóloga Ana Karolina Dia de Oliveira criou projeto no Monte Cristo, em Florianópolis, que oferece oficinas de esportes, aulas de dança e atendimento psicológico a jovens

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Em locais onde o poder público deixa brechas, o crime organizado se aproveita para recrutar integrantes e ganhar espaço. No entanto, outra força surge nessa ausência do Estado: a ação da própria sociedade. Resistentes a dificuldade e falta de apoio, voluntários catarinenses criam projetos para mudar o cenário preocupante de aumento da violência em áreas vulneráveis. 

Com a proliferação da criminalidade em Santa Catarina, projetos sociais tentam resgatar crianças e adolescentes que estão em situação de risco. Confira três exemplos nas cidades de Florianópolis, Itajaí e Joinville.

Um refúgio contra a violência na Capital

O mesmo noticiário que coloca o bairro Monte Cristo como um dos que mais registraram mortes violentas em Florianópolis neste ano foi o que despertou a psicóloga Ana Karolina Dia de Oliveira para agir. Há dois anos, ela começou a atender crianças e adolescentes da região vulnerável e criou o projeto Geração da Chico. Com o apoio do poder público, conseguiu uma sala. Depois de reforma total do espaço, que estava abandonado há 20 anos, iniciou uma série de atividades. Todos os dias, os jovens da comunidade têm à disposição oficina de artes marciais, capoeiras, música, danças urbanas, ioga e artes. A cada 15 dias, os alunos são levados para aulas de surfe na Praia da Joaquina. Além disso, Ana Karolina ainda faz atendimento psicológico para os 50 atendidos pelo projeto

A disposição da psicóloga e a relação com a comunidade foram tão intensas que a voluntária conseguiu o apoio para levar uma unidade da Escola de Jovens e Adultos (EJA) para o local. As aulas devem começar nos próximos dias e vão ser na sede do próprio projeto:

– O meu interesse em criar o projeto surgiu justamente pela ausência do poder público, que só está lá com a polícia. Meu interesse maior era trabalhar com as crianças, que estavam invisíveis e esquecidas. Então, a gente queria criar novas referências para essas crianças – conta a psicóloga.

Ana Karolina conta com o apoio de 12 instrutores voluntários, todos com a mesma disposição da idealizadora do projeto:

– Fiquei dois anos sem apoio do poder público. Então fiz almoços e eventos para revitalizar o espaço. Mas agora conseguimos levar o EJA para comunidade, será uma referência para os moradores.

Joinvilenses buscam sala de aula para todos

Voluntários de Joinville se reuniram para promover muito mais do que um simples ato de solidariedade. Desde 1995, proporcionam para crianças e adolescentes de áreas carentes a possibilidade de estudar e aprender. A proposta é captar bolsas de estudo e apoios complementares para que eles frequentem as melhores escolas da cidade. 

O Projeto Resgate acompanha de perto o desempenho dos alunos. Os apoiadores, que pagam as bolsas e outros custos como transporte e uniforme, são informados com frequência sobre o andamento dos estudos. Atualmente, são 372 moradores atendidos.

– Temos 180 pessoas que terminaram cursos técnicos, uma garotada que não vai precisar de programa social. Hoje, eles conseguem dar uma contribuição interessante, tanto econômica como cidadã – diz o coordenador do Resgate, Mario Santana.

Outra parte do projeto trabalha a liderança inovadora em jovens. Para isso, os instrutores usam metodologias e contam com o apoio de mentores. Na prática, eles ajudam a resolver problemas da sociedade, como a transformação de uma praça da cidade, por exemplo.

– Uma comunidade melhor se faz com pessoas melhores. Uma pessoa com mais capacidade de determinar seus próprios rumos não é empurrada pela maré dos acontecimentos políticos e econômicos – resume o coordenador.

Surfistas de boas ondas em Itajaí

Sair da dependência das drogas motivou Ney Machado a proporcionar alternativas a crianças e adolescentes de Itajaí. Morador do litoral e surfista, ele criou um projeto que oferece aulas de surfe a moradores de áreas vulneráveis da cidade. A ação começou há 17 anos, mas foi registrada oficialmente somente em 2002. 

Um sábado por mês, Ney e outros 12 instrutores voluntários atendem sem cobrar. Os beneficiados são levado para a praia e ganham aula no mar. A proposta, segundo o criador do projeto, é trabalhar tema como prevenção contra drogas, solidariedade entre as pessoas e cuidados com a natureza.

– Algumas pessoas me ajudaram quando fui dependente químico. Essa é forma de agradecer – diz.

Outra iniciativa da ação promovida pelo morador de Itajaí é o Surf Solidário. Aos domingos, qualquer pessoa pode ir até o molhe do Atalaia e fazer aulas em troca de um quilo de alimento. Depois, os produtos são entregue em bairros carentes.

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