Após cinco meses de atraso, escâneres corporais começam a operar em Joinville Salmo Duarte/A Notícia

Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Depois de cinco meses de instalação, os escâneres corporais começaram a operar nas unidades prisionais de Joinville. Os aparelhos estão em funcionamento desde o dia 4, no complexo penitenciário – que abrange o Presídio Regional e a Penitenciária Industrial. O atraso ocorreu por causa de uma liberação por parte do Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Todos os equipamentos desta natureza instalados em território nacional precisam obter a licença porque o controle é necessário devido à emissão de radiação.

Segundo o diretor da penitenciária, João Renato Schiitter, o escâner garante mais segurança e eficácia na identificação de armas, drogas e celulares durante as visitas aos apenados. Anteriormente, os familiares dos presos precisavam passar pela revista íntima. Este procedimento foi alvo de protestos – o último ocorreu em abril deste ano em frente ao Fórum e ao complexo prisional. Um dos principais pedidos era o fim da revista íntima em mulheres e crianças.

Ainda de acordo com Schiitter, os escâneres também otimizaram o tempo gasto pelos colaboradores das unidades prisionais. Cada processo antigo levava cerca de cinco minutos para ser realizado. Com o aparelho, o procedimento demora pouco menos de um minuto.  

Média diária de 60 visitas

– Nós já percebemos a mudança, ocorre uma maior eficiência nessas revistas para impedir a entrada de ilícitos dentro do sistema. Além do tempo gasto com o procedimento ser menor – afirma.

A unidade prisional recebe, em média, 60 visitas por dia. De acordo com o diretor, este número difere de acordo com o dia – porque as visitas são separadas conforme as galerias — e também com o período do mês. Conforme a assessoria do Departamento de Administração Prisional (Deap), serão instalados 12 equipamentos que atenderão a 14 unidades prisionais no Estado — ou 60% dos presos de SC.

A digital do visitante é coletada na entrada do aparelho. Por meio dela, é feito o controle do número de visitantes e um cadastro biométrico. Dentro do equipamento — com o auxílio de uma esteira — a pessoa é escaneada para verificar se carrega algum material ilícito. Um funcionário da penitenciária faz a operação dos computadores que cadastra e processa as informações dos visitantes. No complexo prisional de Joinville, foram capacitados 14 colaboradores para operar o escâner — sete em cada unidade.

Na primeira semana de uso, conforme Schiitter, alguns materiais já foram identificados introduzidos no corpo de visitantes. Ainda de acordo com o diretor, nos casos em que é constatada alguma irregularidade, é conversado com a pessoa para que retire o material. Caso ela alegue que não carrega nada, é solicitada revista íntima. O procedimento só é realizado com a autorização do visitante. A visita só é liberada se for comprovado que não existe nenhuma irregularidade, informa o diretor.

A população carcerária das duas unidades é de 1.485 presos, conforme dados fornecidos por Schütter. No presídio estão 819 apenados; já na penitenciária, são 503 internos no regime fechado e 163 no semiaberto.

Procedimento tem aprovação dos detentos

Os escâneres corporais fazem parte do investimento que a Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania (SJC) faz para melhorar as unidades prisionais do Estado, conforme o diretor da penitenciária de Joinville, João Renato Schiitter. O novo procedimento também busca não causar embaraços às famílias dos apenados.

— Os presos aprovaram a iniciativa também, devido a essa exposição que as famílias tinham por causa dessa revista vexatória que era executada dentro do sistema — ressalta.  

A assistente de telemarketing Cristina Cardoso, de 49 anos, compareceu à penitenciária na manhã desta segunda-feira para visitar o marido, que está preso por causa de um latrocínio. Segundo ela, o escâner corporal melhorou o procedimento destinado às visitas, principalmente em idosos e crianças. O aparelho contribui para solucionar uma reivindicação antiga por parte das famílias.  

Sem constrangimento

— Melhorou bastante, não precisamos mais passar pelo constrangimento da revista íntima. Agora, a nossa reclamação é apenas por causa do uniforme (blusa branca e calça de moletom cinza) que temos que usar para entrar. Se nós não somos presas, por que temos que usar uniforme? — questiona.

Outra mulher, que não quis ter a identidade revelada, frequenta a unidade há dois anos, visitando o irmão e o marido presos por causa de um homicídio. Para ela, o novo procedimento contribui para agilizar o processo e também para a segurança de quem está dentro e fora da unidade.

Leia mais notícias sobre segurança
Especialistas sugerem soluções para controlar facções que intimidam SC
SC ainda não tem previsão de data para lançar concurso de agentes prisionais, diz secretário-adjunto
Missão catarinense em Israel busca ideias para tecnologia e segurança 
"O Estado aprendeu muito pouco de 2013 para cá", diz promotor sobre ataques em SC
Diogo Vargas: A criminalidade encarcerada
Facção criminosa catarinense liderou atentados ocorridos em Santa Catarina, diz Polícia Civil

 Veja também
 
 Comente essa história