Pela segunda vez, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra Michel Temer. Nesta quinta-feira (14), o presidente foi acusado por obstrução da Justiça e organização criminosa. 

No documento entregue ao STF, Janot aponta o suposto aval de Temer para a compra de silêncio do doleiro Lucio Funaro, apontado como operador de políticos do PMDB, e a atuação do chefe do Executivo no chamado "quadrilhão" do partido na Câmara dos Deputados.

Também são alvos da denúncia Eduardo Cunha, Henrique Alves, Geddel Vieira Lima, Rodrigo Loures, Eliseu Padilha e Moreira Franco.

Agora, Temer irá concentrar novamente atenções na Câmara, onde precisa do apoio de 172 dos 513 parlamentares para arquivar a denúncia.

 Leia a íntegra da segunda denúncia de Janot contra Temer

Saiba como será a tramitação da denúncia:

1) O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou o presidente Michel Temer por obstrução da Justiça e organização criminosa. A acusação será remetida ao ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo.

2) Fachin deverá comunicar à presidente do STF, Cármen Lúcia, sobre a denúncia. Ela encaminhará a acusação ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (PMDB-RJ).

3) Após a denúncia chegar à Câmara, o texto será enviado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Temer será notificado oficialmente.

4) O advogado de Temer, Antonio Claudio Mariz, deverá entregar a defesa do presidente à CCJ. Na sequência, o relator da denúncia, que será escolhido pelo colegiado, apresentará um parecer a favor ou contra a admissibilidade.

5) A CCJ começa uma fase de debates em torno do parecer. Depois, deverá votá-lo.

6) Mesmo que a comissão rejeite o parecer, a denúncia segue para o plenário da Câmara. São necessários 342 votos para que o STF possa ou não decidir sobre a abertura de ação penal contra o presidente.

7) No plenário, a votação deverá ser aberta e por chamada nominal, como ocorreu na apreciação da primeira denúncia. É lido o nome de cada deputado, que se dirige ao microfone para votar.

8) Se autorizada a abertura do processo, a Câmara deve comunicar a presidência do STF. No Supremo, o relator abre prazo de 15 dias para que o denunciado ofereça resposta à acusação. Se forem apresentados novos documentos, a PGR será intimada para se manifestar em cinco dias. Em seguida, o relator prepara o seu voto e libera o processo para que o plenário decida pelo recebimento, ou não, da acusação. Se o Supremo tornar Temer réu, ele será afastado do cargo por até 180 dias, aguardando o julgamento. Caso seja considerado culpado, o presidente será afastado definitivamente do posto e deverá perder seus direitos políticos. Interinamente, assumiria Maia, que deveria convocar eleições indiretas em 30 dias.

9) Caso a Câmara negue a autorização, a denúncia permanece suspensa até o final do mandato de Temer, em 31 de dezembro de 2018.

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