Inquérito da PF fala em assédio a professores por organização criminosa na UFSC Cristiano Estrela/Agência RBS

Operação na UFSC ocorreu na quinta-feira

Foto: Cristiano Estrela / Agência RBS

O inquérito da Polícia Federal (PF) sobre os desvios de recursos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no âmbito da operação Ouvidos Moucos,  fala em uma organização criminosa dentro da instituição. O DC teve acesso a uma parte do documento.  No inquérito, a delegada Érika Malik Marena afirma que os professores que prestaram depoimento foram "verdadeiramente achacados por integrantes da organização criminosa, foram constrangidos, assediados e amedrontados. Certamente muitos outros existem e que serão identificados e ouvidos em futuro breve." 

Um das testemunhas, a ex-coordenadora de um curso de Educação, Taísa Dias, apresentou à PF um ofício de Rogério Nunes, coordenador do núcleo Universidade Aberta do Brasil (UAB), mandando depositar R$ 500 nas contas de 14 pessoas, com recursos da Educação a Distância (EaD), a título de "cesta natalina", enquanto alguns professores tinham bolsas em atraso. Apresentou também um e-mail sugerindo que as irregularidades fossem investigadas.

Outra testemunha, o professor Martin Petroll, do curso de Administração a distância, disse que Roberto Moritz, responsável pelo controle financeiro das bolsas, tinha pedido que ele devolvesse metade do valor de uma bolsa para a conta de Rogério Nunes, um dos coordenadores da área de ensino à distância. E que era isso era de praxe, um "acordo de cavalheiros".

Martin ainda gravou uma conversa com Roberto em que ele explicou: "antigamente a gente pagava sempre via fundação, a FAPEU, a FEPESE, como hoje a gente não tem mais recurso (...) ao invés de pagar os R$ 600,00 (...) a gente paga meia bolsa, e o professor recebe e faz esse...esse trâmite."

De acordo com o documento, a julgar por diálogos gravados por um dos depoentes para sua própria defesa, fica claro que o esquema funcionava há muito tempo e em vários cursos de EaD, não apenas no de Física e de Administração. 

O reitor afastado, Luiz Carlos Cancellier, aparece poucas vezes no documento. É citado como a pessoa que nomeou os professores que mantiveram a política de desvios de verba e que tentou atrapalhar uma investigação interna da UFSC sobre o tema.  O nome dele também consta na lista como beneficiário de R$ 62.400 em bolsas entre 2004 e 2015. Neste caso, contudo, seria necessário um "exame mais aprofundado", diz o inquérito. Como o reitor foi professor da instituição, o recebimento das bolsas não representa, necessariamente, uma irregularidade. Cancellier ainda teria, conforme o inquérito,  pressionado para a saída da antiga coordenadora de um curso de educação, Taísa Dias.

A NSC TV tentou contato, nesta manhã, com os advogados de Rogério Nunes, mas não conseguiu localizá-los. A advogada de Luiz Carlos Cancellier, Nivea Cademartori, disse que teve acesso ao inquérito na tarde de sexta-feira, está analisando as acusações e deve se manifestar nos próximos dias. O advogado de Roberto Moritz, Gabriel Alvarez, disse que teve acesso ao inquérito na sexta-feira, que prestará todos os esclarecimentos nos autos e que ficará provada a inocência do cliente dele.

Os envolvidos no esquema podem responder por vários crimes, como fraude em licitação, estelionato e organização criminosa.

Com informações da NSC TV.

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