A prisão temporária do reitor da UFSC, professor Luiz  Carlos Cancellier, levará a uma troca de comando na instituição. A vice-reitora, professora Alacoque Lorenzini Erdmann, está em viagem oficial ao México e deverá assumir o comando da universidade por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira. Isso acontece porque a Justiça Federal determinou que Cancellier deve permanecer afastado do cargo durante as investigações. Até o final de semana, quem assume interinamente é o professor Rogério Cid Bastos, o mais velho dos pró-reitores.

A vice-reitora é funcionária de carreira do Centro de Ciências da Saúde.  Ela é formada em Enfermagem pelaUniversidade Federal de Santa Maria, em 1971, e em Desenho e Plástica na mesma universidade, em 1975. 

Na tarde desta quinta-feira, o chefe de gabinete da reitoria, professor Áureo Mafra de Moraes, concedeu uma entrevista à rádio CBN Diário em que pediu calma à comunidade acadêmica até que todos os fatos sejam devidamente apurados. Moraes negou ainda que tenha ocorrido qualquer tipo de tentativa de obstruir as investigações. Segundo o despacho da juíza federal  Janaina Cassol Machado, Cancellier " procurou obstaculizar as investigações, interferindo diretamente na atividade do Corregedor".

— A universidade nunca opôs qualquer resistência (às investigações). O acobertamento não está na nossa prática — disse o chefe de gabinete.

Em uma reunião na tarde desta quinta-feira, o reitor em exercício pediu aos diretores de centro da UFSC que mantenham normalmente as atividades e que se crie um  "clima de harmonia, sem juízos antecipados." 

Entenda a investigação

A Operação  Ouvidos Moucos  foi deflagrada na manhã desta quinta-feira e teve sete prisões tempora´rias — entre elas o reitor Cancellier — e cinco conduções coercitivas.  O foco da ação é o Programa Universidade Aberta (UAB), destinado a cursos de formação de professores a distância com o repasse de bolsas por meio da Capes. A proposta do projeto é que os formandos deem aula em cidades do interior do Estado. De 2006 até 2017, o governo federal destinou R$ 80 milhões para o programa. A investigação focou, no entanto, em R$ 40 milhões, usados de 2010 até 2017. Os investigadores da Controladoria Geral da União (CGU) pegaram contratos por amostragem dentro desse valor e detectaram irregularidades. Por isso, não é possível identificar quanto teria sido desviado.

Entre 2010 e 2011, foram identificados problemas em 40 procedimentos de bolsas que totalizam R$ 350 mil. Também foram encontrados nomes de 100 parentes dos envolvidos no esquema como beneficiários. Nessa lista de familiares, o valor estimado em apuração é de R$ 3 milhões.

Segundo a CGU, a investigação iniciou após vistorias rotineiras feitas na universidade. Como detectaram indícios de crime, os agentes da controladoria encaminharam os dados para a PF. Desde que os problemas foram detectados, o órgão teria alertado a UFSC e pediu correções, mas elas não ocorreram, segundo o coordenador de operações da controladoria, Israel José de Reais Carvalho.

— A operação é uma fase da investigação para cessar a prática criminosa em andamento. As medidas visam atingir o grupo e tirar os acessos dos investigados — explicou a delegada responsável pela ação Érika Marena.

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