Longe das luzes cintilantes dos hotéis e casinos, um pequeno parque de cura foi aberto no norte de Las Vegas como parte dos esforços dos cidadãos para sarar as feridas deixadas pelo massacre de domingo (1) na cidade.

Um dos criadores do parque, o paisagista Mark Hamalmann, explica que se trata de um "jardim de memória", com 58 árvores plantadas ao longo de uma pequena estrada pavimentada.

Inaugurado na sexta-feira, o lugar também tem um grande carvalho no centro que representa a "árvore da vida", enquanto bandeiras americanas adornam uma cerca de madeira.

"Tudo aqui foi doado por companhias locais, somos todos voluntários e é impressionante como tomou forma", declarou Hamalmann à AFP, enquanto supervisionava a construção.

No parque de cura, explica, todos são bem-vindos para caminhar, sentar-se para refletir ou deixar mensagens na parede das memórias.

E se algo está claro é que Las Vegas precisa de cura: 58 pessoas morreram e 500 outras ficaram feridas quando o aposentado Stephen Paddock, de 64 anos, abriu fogo contra o público de um festival de música country pouco antes de cometer suicídio.

Desde o tiroteio, "não consigo dormir, e acredito que provavelmente é a adrenalina que ainda não saiu do meu cérebro depois do que vi", diz Dori McKendry, motorista de um ônibus que estava estacionado em frente ao hotel Mandalay Bay quando Paddock começou a atirar na multidão do seu quarto no 32º andar.

Ela ofereceu transporte gratuito às famílias das vítimas para ajudá-las a tentar processar a tragédia.

Thomas Fadden, que sobreviveu ao ataque, também se diz "aterrorizado".

- "Maratona" -

Muitas clínicas em Las Vegas organizaram sessões de terapia para pessoas afetadas pelo pior tiroteio da história recente dos Estados Unidos, incluindo sobreviventes, familiares de vítimas ou qualquer pessoa com ansiedade após o caso.

A Universidade de Las Vegas criou uma centro de consulta no local onde os alunos de psicologia são treinados.

Alguns dos que procuram ajuda "querem conversar e compartilhar", enquanto outros "ainda não estão prontos", explica a diretora Michelle Paul.

"O que estamos tentando fazer é trabalhar em colaboração com os pacientes e tentar descobrir o que está acontecendo com eles, normalizar esse sentimento e, em seguida, ajudá-los a desenvolver estratégias de resposta positiva", diz.

Para o psicólogo Daniel Filacora, da clínica privada de Bridge Counseling, falar os detalhes de uma experiência traumática ajuda a remover as emoções negativas do que aconteceu.

"Contar a história, especialmente no caso de um evento tão dramático, é importante para diferenciar entre o que realmente aconteceu e as emoções negativas associadas", afirmou.

É ainda mais importante em Las Vegas, uma cidade conhecida mundialmente como um centro de entretenimento, onde um ataque contra 20 mil pessoas é "particularmente traumático", acrescentou.

"A nível comunitário, a sociedade está obviamente mais traumatizada porque aconteceu aqui agora", diz Paul, lembrando outros tiroteios como o que deixou 49 mortos em Orlando em 2016.

De acordo com o especialista, fazer com que a vida volte ao normal em Las Vegas será "uma maratona, e não uma corrida curta".

* AFP

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