Nesta sexta-feira, quatro dias após o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Luiz Carlos Cancellier de Olivo tirar a própria vida ao se jogar do último piso de um shopping no Centro da Capital, quatro associações de juízes federais, procuradores e delegados da Polícia Federal se manifestaram sobre o assunto por meio de uma nota. No texto, as autoridades se solidarizam com a morte e afirmam "repudiar afirmações de eventuais exageros na Operação Ouvidos Moucos". A operação foi deflagrada no dia 14 de setembro para apurar desvios de recursos públicos destinados a cursos de educação à distância. O reitor foi uma das sete pessoas presas temporariamente. 

A motivação da morte de Cancellier foi tema de debate nas redes sociais durante toda a semana e levantou a discussão sobre limites e excessos no uso da prisão como instrumento em investigações. O tema também foi pauta do caderno Nós desde fim de semana e, até então, a Polícia Federal e a Justiça Federal em Florianópolis haviam decidido não se manifestar.

Ainda na nota, assinada pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE), Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e Associação dos Juízes Federais de Santa Catarina (AJUFESC), as entidades ponderam que "ao contrário do que vem sendo afirmado por quem quer se aproveitar de uma tragédia para fins políticos, no Brasil os critérios usados para uma prisão processual, ou sua revogação, são controlados, restritos e rígidos". 

Por fim, o texto ainda pontua que as autoridades públicas envolvidas no caso se recusam a participar de um debate nessas condições tendo em vista que "uma tragédia pessoal não deveria ser utilizada para manipular a opinião pública" e que todos que integram as carreiras representadas pelas associações baseiam as atuações "pelos princípios da impessoalidade e da transparência".

Leia a nota na íntegra

Brasília (06/10/17) - A Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE), a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Associação dos Juízes Federais de Santa Catarina (AJUFESC) ao tempo em que lamentam a morte do reitor Luiz Carlos Cancellier e se solidarizam com sua família nesse momento de dor, vêm a público repudiar afirmações de eventuais exageros na Operação Ouvidos Moucos. 

Ao contrário do que vem sendo afirmado por quem quer se aproveitar de uma tragédia para fins políticos, no Brasil os critérios usados para uma prisão processual, ou sua revogação, são controlados, restritos e rígidos.

Uma tragédia pessoal não deveria ser utilizada para manipular a opinião pública, razão pela qual as autoridades públicas em questão, em respeito ao investigado e a sua família, recusam-se a participar de um debate nessas condições.

Os integrantes das respectivas carreiras, não apenas na referida operação, como também no exercício de suas demais atribuições funcionais, norteiam-se pelos princípios da impessoalidade e da transparência, atuando de forma técnica e com base na lei.

 Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE)
Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR)
Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF)
Associação dos Juízes Federais de Santa Catarina (AJUFESC)

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