Contrariando a expectativa de dirigentes do PSDB, o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) disse na noite desta quarta-feira, 4, que segue no partido e na relatoria da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. O tucano comunicou ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), que não tem a intenção de se licenciar da legenda. "Eu sou do PSDB e estou realmente procurando agora realizar uma tarefa na CCJ", respondeu.

Em entrevista, Bonifácio disse que não passou pela cabeça se licenciar do PSDB e insistiu que seguirá a orientação do presidente da CCJ. "Numa democracia, a Câmara dos Deputados está acima dos partidos", desconversou.

Mais cedo, dirigentes do PSDB indicaram que Bonifácio iria se licenciar do partido. O senador Tasso Jereissati (CE), presidente interino da legenda, disse que estava conversado com Bonifácio e que "soube que ele vai se afastar". "Existe uma divisão do partido em torno do assunto, então não é conveniente que o relator seja do partido", disse Tasso. Com a permanência do deputado na CCJ e no partido, o impasse segue no ninho tucano.

Bonifácio disse que recebeu a tarefa de relatar a denúncia e que seguirá no trabalho. "Estou agora ocupado com essa tarefa", enfatizou.

Pacheco disse que a decisão que lhe cabe é garantir com que o tucano continue na CCJ "em qualquer circunstância" e realize seu trabalho na relatoria. "Ele segue como relator. Enquanto ele tiver a vontade e disposição de ser o relator, ele o será em qualquer circunstância", declarou. Segundo Pacheco, nenhum partido ofereceu até o momento ceder uma de suas vagas para Bonifácio caso o líder Ricardo Tripoli (PSDB-SP) decida destituí-lo.

O peemedebista informou que o relator terá até terça-feira, 10, para entregar seu parecer. Com a expectativa de pedido de vista, a votação do parecer na CCJ deve ficar para depois do feriado de 12 de outubro.

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