Carolina Bahia: fundo bilionário com o seu dinheiro Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados

O Congresso mais uma vez legisla em causa própria ao aprovar um fundo público de campanha para as eleições de 2018. Deputados e senadores estão muito mais preocupados em garantir dinheiro para financiar a reeleição, do que buscar maneiras de promover uma campanha mais barata e transparente. Como voltar ao financiamento de empresas ficou impossível em razão dos escândalos da Lava-Jato, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) tirou da cartola a fórmula que utiliza um percentual do dinheiro de emendas de bancada e a compensação fiscal das emissoras de rádio e TV em razão do horário eleitoral. Cerca de R$ 2 bilhões estarão à disposição dos presidentes dos partidos. O relator da reforma política, deputado Vicente Cândido (PT-SP), disse que esse total é pouco para quem recebe, mas muito para quem paga. Grande desafio para a Justiça Eleitoral, que terá que fiscalizar a aplicação desse dinheiro que, certamente, fará falta em tantos outros setores.

Crise no ninho
O governo só aumentou a crise com a bancada do PSDB ao articular a permanência de Bonifácio de Andrada (MG) à frente da relatoria da segunda denúncia na CCJ. Irritado com a indicação, o líder dos tucanos, Ricardo Tripoli (SP), retirou o deputado da Comissão de Constituição e Justiça. Para que Andrada permaneça com a relatoria, o PSC precisou ceder a vaga de Marco Feliciano (SP). O relatório deve ser apresentado na próxima terça-feira. 

Prevenção
A manobra que garantiu uma vaga postiça a Bonifácio de Andrada na CCJ não foi de última hora. Na quarta-feira, quando o advogado de Michel Temer entregava a defesa, integrantes da comissão já comentavam que outro partido ajudaria o relator. Para quem garante que tem os votos para enterrar a denúncia, o governo está preocupado demais.

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