Carolina Bahia: reforma de araque Arte ZH / Gabriel Renner/Gabriel Renner

Foto: Arte ZH / Gabriel Renner / Gabriel Renner

 Depois de muita enrolação, o Congresso aprova um arremedo de reforma política. Mais preocupados em legislar em causa própria do que em encaminhar soluções para a crise, deputados e senadores perderam tempo debatendo propostas sem pé nem cabeça, como o "distritão" ou a famosa "emenda Lula". Essa última defendia que candidatos não poderiam ser presos até oito meses antes das eleições. Criticadas, as duas mudanças caíram, prova de que o resultado final poderia ser muito pior. 

Mas o que sobrou é um texto capenga. A proibição das coligações nas eleições proporcionais, por exemplo, é uma boa medida, mas ficou só para 2020. Quem circula pelos plenários da Câmara e do Senado ouve que até lá, muita coisa pode mudar. Um dos principais desafios do nosso sistema político é reduzir drasticamente o número de legendas e garantir o fortalecimento de partidos. A atual reforma até dificulta a vida das siglas de aluguel, mas não resolve o problema. 

Pelo contrário. A resposta de muitos partidos ao desgaste foi a ridícula troca do nome atual por palavras de ordem. Enquanto isso, o STF decide que a Lei da Ficha Limpa vale para políticos condenados antes de 2010, quando a lei entrou em vigor. Depois reclamam que o Supremo legisla.

Ameaça
O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI)  foi a campo para defender a criação do fundo público eleitoral. Na manhã de ontem, ele telefonava para os deputados, avisando: aqueles que não votassem a favor do novo fundão, não teriam dinheiro em 2018. Mesmo com a ligação, teve deputado que manteve posição contrária.

Poupança
O comentário na Câmara era que o PR não estava se esforçando para apoiar o fundo público, pelo contrário: os deputados estavam liberados para fazer campanha contra. É que o partido de Valdemar Costa Neto tem dinheiro em caixa para ajudar no financiamento de 2018.

—  O pessoal é organizado. Agora, o que vier é lucro — comentava um deputado do PR.

Confortável
O princípio de rebelião no PSD contra a votação da segunda denúncia não poderia ser mais confortável para o deputado Danrlei. Ele, que votou contra Temer na primeira denúncia, já entrou até mesmo na lista daqueles que perderão cargos federais. Colegas que já foram fieis a Temer têm procurado Danrlei para dizer que desta vez ficarão ao lado do gaúcho.

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