Após o afastamento do corregedor-geral da UFSC, Rodolfo Hickel do Prado, que testemunhou na operação da Polícia Federal Ouvidos Moucos, o chefe de gabinete da universidade Áureo Moraes concedeu entrevista ao Diário Catarinense. Apesar da recomendação da procuradora federal Alessandra Sgreccia Rezende de que deveria ser instalada uma sindicância para apuração dos fatos, informada à Corregedoria Geral da União (CGU), isso não ocorreu porque, segundo Moraes, não seria necessário. Confira a entrevista:

Diário Catarinense: Sobre a portaria que determinou o afastamento do corregedor Hickel do Prado da UFSC, isso passou pela CGU?
Áureo Moraes:
Por que deveria?

DC: Eu estou lhe perguntando se passou.
AM: Não passou porque não tem que passar. Ele é um servidor cedido, do quadro da universidade, designado por ato do reitor e submetido aos procedimentos de qualquer outro na universidade.

DC: A procuradora cita no parecer um decreto que determina abertura do procedimento na CGU e não na UFSC.
AM:
E o do reitor tinha que ser aberto no Ministério da Educação (MEC).

DC: Mas o senhor tem conhecimento disso, que o decreto citado pela procuradora fala que o procedimento deveria ser aberto na CGU?
AM: Objetivamente, não precisa. Eu garanto o ato que eu assinei. A CGU não tinha que analisar.

DC: A procuradora também pede a abertura de sindicância. Por que isso não ocorreu?
AM: Aí é um juízo discricionário da autoridade que no caso sou eu. O próprio corregedor cansou de abrir procedimento administrativo disciplinar sem a devida sindicância. Eu não quero entrar em detalhes dessa discussão, até porque o ato inicial foi em julho, e não se pode ficar fazendo ilação ao pobre do corregedor.

DC: A procuradora Alessandra encaminha os documentos para o procurador Juliano Scherner Rossi, que após a prisão do reitor, na primeira reunião do Conselho Universitário, externou sua solidariedade ao reitor. O senhor não acha que ele tinha que se declarar suspeito para analisar o caso em função da manifestação anterior?
AM: A juíza pode ser suspeita porque se manifestou contrária à soltura dos presos? Só se o pau que bate em Chico bate em Francisco. Se a juíza que se manifestou pela mídia contrária à decisão da substituta dela, de soltar os presos, ou seja, se recorresse à soltura para ela, ela iria manter a prisão, então você parte do princípio que o Juliano é suspeito, porque como procurador ele não pode expressar sua crença dentro de um ato que ele considera inadequado.

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