Empresa de SC é suspeita de enviar madeira ilegal ao exterior Marcos Porto/Divulgação

Foto: Marcos Porto / Divulgação

A Polícia Federal cumpriu três mandados da Operação Anhangá Arara em Porto União, no Norte de Santa Catarina, nesta quarta-feira. A ação tem como alvo uma quadrilha que coordenava a extração de maneiras nobres na Terra Indígena Cachoeira Seca, no Pará. A madeira ilegal era enviada ao exterior através dos portos de Belém, Santos, Paranaguá e Itajaí.

O alvo em SC é um empresário do setor madeireiro, que foi localizado em Santarém (PA) em uma audiência no Ibama. O delegado Yuri Rodrigo de Oliveira, da Polícia Federal de Altamira (PA), que coordenou as investigações, diz que o processo de “esquentar” a carga de madeira era feito antes da chegada a Santa Catarina. Para a polícia, no entanto, a madeireira que fazia a exportação sabia que se tratava de madeira ilegal. O principal produto de exportação era o ipê, que chegou a ser negociado pelo grupo por um valor 10 vezes menor do que o preço de mercado, de acordo com as investigações.

_  A fraude se dava toda no início, não havia irregularidade (quando chegava a SC), exceto terem conhecimento de que, na origem, era ilegal. A madeira passava por uma empresa, que esquentava e transmitia para outra, que transmitia para outra _ afirma o delegado.

De Itajaí e outros portos a carga viajava em contêineres para diversos lugares no mundo. Os principais clientes são Estados Unidos, Panamá e Argentina, na América, França, Reino Unido e Alemanha, na Europa, Emirados Árabes e Coreia do Sul na Ásia.

Embora não tenha havido ilegalidade na liberação da madeira nos portos, já que a carga havia sido "esquentada" antes disso, a Polícia Federal agora vai pedir informações aos terminais sobre os embarques que foram feitos pelo grupo. A intenção é identificar qual a quantidade exata de madeira ilegal que foi enviada ao exterior _ um número que a investigação ainda não conseguiu levantar. 

O dano ambiental, no entanto, já foi calculado e é milionário. Foram R$ 574 milhões somente na extração ilegal de madeira, e outros R$ 322 milhões são estimados como prejuízo ambiental por abertura de áreas onde é feito o chamado corte raso, quando é derrubada toda a vegetação em uma determinada área. 


 Veja também
 
 Comente essa história