A Turquia deixou claro, nesta terça-feira, todo o seu descontentamento com a decisão dos Estados Unidos de reduzir os serviços de emissão de vistos na Turquia, com o presidente Recep Tayyip Erdogan anunciando o boicote ao embaixador americano em Ancara.

As autoridades turcas não vão mais receber o embaixador dos Estados Unidos na Turquia, informou Erdogan, enquanto as relações entre Ancara e Washington atravessam um momento de grande tensão.

"Nós não o vemos como o representante dos Estados Unidos na Turquia", declarou o presidente turco em uma viagem a Belgrado, acrescentando que o embaixador americano John Bass, transferido para Cabul, não será recebido pelo governo turco antes de deixar Ancara nos próximos dias.

Já tensa há vários meses, as relações entre a Turquia e os Estados Unidos, dois países parceiros na Otan, estão sob intensa pressão desde o indiciamento por espionagem de um funcionário turco do consulado dos Estados Unidos em Istambul.

O funcionário em questão foi acusado pela Justiça turca de estar ligado ao pregador exilado nos Estados Unidos Fethullah Gülen, apontado por Ancara como o instigador da tentativa de golpe de 15 de julho de 2016.

Em resposta à sua prisão, a embaixada americana em Ancara anunciou no domingo a suspensão da maioria dos serviços de emissão de vistos em suas missões diplomáticas em território turco. Ancara respondeu com medidas semelhantes.

Mas se os líderes turcos não escondem seu descontentamento, evitaram até o momento de atacar o presidente Donald Trump, concentrando suas críticas ao embaixador americano, apontado como o instigador da suspensão dos vistos.

"Se o embaixador americano tomou esta decisão por conta própria, então o governo americano não deve mantê-lo no cargo por mais um minuto", afirmou Erdogan, que defendeu a prisão do funcionário turco, alegando que a polícia reuniu provas que comprovam que "algo estava acontecendo".

Outro funcionário turco do mesmo consulado também é alvo de um inquérito sobre o movimento do pregador Gülen.

"Os americanos devem se perguntar: como esses agentes fizeram para se infiltrar em seu consulado em Istambul?", ressaltou Erdogan.

Pouco antes, o primeiro-ministro Binali Yildirim havia afirmado que a Turquia "não tinha que pedir a permissão" dos Estados Unidos antes de prender funcionários de representações americanas.

Na segunda-feira à noite, o embaixador Bass afirmou que as autoridades turcas não haviam apresentado qualquer prova que sustentasse as acusações contra o funcionário consular, e questionou se o objetivo de sua prisão não era "perturbar a cooperação" entre a Turquia e os Estados Unidos.

* AFP

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