Os Estados Unidos vão retirar algumas das mais sanções econômicas impostas ao governo sudanês, anunciaram funcionários do governo do presidente Donald Trump nesta sexta-feira.

O Sudão permanecerá na lista negra de Estados que apoiam o terrorismo e algumas sanções permanecerão em vigor, mas o regime avançou para acabar com as atrocidades cometidas no país, disseram as fontes.

"Os Estados Unidos decidiram revogar formalmente algumas sanções econômicas centradas no Sudão", disse um funcionário a repórteres, explicando que é "em reconhecimento das ações positivas adotadas pelo governo sudanês em cinco áreas-chave".

De acordo com uma declaração da porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, tais sanções serão retiradas até o final da próxima semana, 12 de outubro.

"As ações do governo do Sudão nos últimos nove meses mostram que eles levam a série a cooperação com os Estados Unidos", celebrou Nauert.

As fontes explicaram que o regime sudanês manteve o cessar-fogo nas regiões de Darfur, Kordofan Oriental e Nilo Azul.

Além disso, melhorou o acesso humanitário às áreas que estavam em conflito e parou seus esforços para desestabilizar o Sudão do Sul, que se tornou independente em julho de 2011.

De acordo com as mesmas fontes, a cooperação antiterrorista entre os Estados Unidos e o Sudão também melhorou.

Contudo, Andrea Prasow, da organização Human Rights Watch em Washington, estimou que "suspender as sanções permanentemente manda uma mensagem equivocada, quando o Sudão fez poucos progressos em matéria de direitos humanos".

"Um governo como esse não deveria ser recompensado", disse o especialista, lembrando que o presidente sudanês Omar al Bashir é alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e genocídio.

Magnus Taylor, analista do International Crisis Group (ICG), uma ONG que trabalha na resolução de conflitos, considera pelo contrário que essa suspensão de sanções é um meio "eficaz" de aumentar a cooperação com o Sudão.

"Se os Estados Unidos forem inteligentes, vai utilizar este impulso nas relações com o Sudão para promover progressos suplementares no comportamento do governo sudanês", explicou à AFP.

As relações entre os dois países melhoraram muito durante a administração de Barack Obama (2009-2017), que em janeiro suavizou as sanções impostas em 1997 com a intenção de levantá-las completamente depois de revisá-las seis meses depois.

Em julho, Trump adiou a revisão para o dia 12 de outubro, o que irritou o presidente sudanês, Omar al Bashir.

* AFP

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