Escrito à mão num pedaço de papel, o bilhete encontrado no bolso da calça do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, é uma afirmação curta que sinaliza o maior drama enfrentado por ele naquele momento: a proibição judicial de ingressar nas dependências da instituição, por ele frequentada há 40 anos. Cancellier escreveu: "A minha morte foi decretada quando fui banido da universidade!!!". A autoria ainda não foi confirmada.

A mensagem, publicada em uma rede social na tarde desta quarta-feira por um dos irmãos do reitor, Júlio Cancellier, é uma das provas técnicas que estão em posse do Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina (IGP). O bilhete será juntado aos laudos cadavérico e do local do fato para depois ser anexado ao inquérito policial, mas por enquanto a Polícia Civil não solicitou exame grafotécnico para confirmar se a grafia coincide com a do professor. 

Caso não haja a solicitação, pontua Walmir Djalma Gomes Júnior, diretor do Instituto de Criminalística do IGP, o exame não tem necessidade de ser feito, mas o bilhete será anexado aos laudos para conhecimento da investigação. 

— Em casos assim, de suspeita de suicídio, é comum as pessoas deixarem mensagens escritas. E a gente não costuma fazer exame para identificar a grafia. Mesmo assim, se pedirem, faremos o exame. Se não, emitimos o laudo de local de morte e aí vai constar o bilhete — afirma Walmir, que diz não ser comum a realização de exames de grafia em casos de suicídio. 

Responsável pela investigação do caso, a delegada Aline Hermes Zandonai, titular do 1ª DP da Capital,  preferiu não informar  se vai pedir algum tipo de análise na mensagem deixada por Cancellier. Ela se limitou a dizer que todas as diligências "necessárias e possíveis serão realizadas na instauração do inquérito policial". 

— A maioria já foi requerida. Os detalhes só serão informados após a conclusão. 

Advogado do reitor na suspeita de obstrução de investigação, levantada pela Polícia Federal e que resultou em sua prisão e afastamento da universidade, Hélio Brasil afirmou esperar que as autoridades façam exame para confirmar se a letra no bilhete é a mesma de Cancellier. 

— Temos que saber se foi ele mesmo que escreveu. 

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