Os quatro partidos políticos holandeses que realizaram as mais longas negociações da história do país para formar um governo, anunciaram nesta terça-feira (10) o acordo "ambicioso e equitativo" feito entre eles, sete meses depois das eleições legislativas.

"Com orgulho lhes apresento este acordo ambicioso e equitativo", declarou o primeiro-ministro liberal, Mark Rutte, nesta terça-feira durante uma coletiva de imprensa no Parlamento de Haia.

Ao tornar público este acordo, o tempo recorde de 208 dias de negociações para formar um governo na Holanda, estabelecido em 1977, foi superado em um dia.

Este acordo, batizado de "Confiança no futuro", prevê que o partido liberal (VVD) de Rutte tenha novamente os principais papéis do governo de uma das principais economias da União Europeia (UE).

O VVD, ganhador das eleições realizadas em março passado, governará com os progressistas do D66 e com dois partidos cristãos: o CDA, pragmático, e a União Cristã (CU), mais conservador.

Mais à direta que a coalizão anterior, já que os trabalhistas frustrados nas últimas eleições decidiram encarnar mais uma vez a oposição, o governo Rutte III "investirá principalmente em educação, no Exército, na saúde e na segurança".

"É um momento especial", havia declarado um pouco antes Khadija Arib, presidente da Câmara Baixa, que recebeu o acordo das mãos das quatro lideranças políticas envolvidas.

"A versão final oficial do acordo do governo foi entregue à Câmara Baixa do Parlamento", declarou a representante de origem marroquina aos jornalistas presentes.

Entre os muitos pontos sensíveis do debate para se chegar a um acordo, o clima acabou por se tornar a ponta de lança da nova coalizão, para criar uma "sociedade durável" e "respeitar os acordos de Paris": 4 bilhões de euros serão investidos para que as emissões de CO2 sejam reduzidas em 49% até 2030.

"Este é um acordo catastrófico e monstruoso", reagiu Geert Wilders, líder do Partido da Liberdade (PVV) anti-islâmico, que conquistou 20 assentos nas eleições, tornando-se o segundo maior partido do país, mas que se vê diante da recusa das outras formações políticas de governar com ele.

"A palavra 'islã' não é mencionada uma única vez, enquanto o terrorismo é a maior ameaça para o país", indignou-se na televisão pública NOS.

"Este acordo une os progressistas e os conservadores", comemorou, por sua vez, Alexander Pechtold, líder do D66. Ele visa o "crescimento e progresso", ressaltou Mark Rutte.

Mas de acordo com especialistas, este casamento promete ser frágil: dá a Rutte e seus sócios uma maioria de apenas um assento, com 76 de 150 lugares no Parlamento.

"Mark, Alexandre, Sybrand (Buma, líder do CDA), não foi amor à primeira vista, mas nos encontramos, tenho confiança", concluiu Gert-Jan Segers, da União Cristã .

* AFP

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