Após terem sido agredidos na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, dois jovens, de 21 e 27 anos que mantêm uma relação homoafetiva, disseram enfrentar dificuldades para conseguir registrar um boletim de ocorrência na delegacia. O relato da agressão, que ocorreu neste domingo, foi encaminhado para o colunista do Hora de Santa Catarina e comunicador na NSC TV, Edsoul.

Conforme relato do rapaz mais novo, as agressões tiveram início quando o casal, que estava no trapiche da Lagoa, passou na lateral de um estabelecimento onde havia um grupo de pessoas conversando. O jovem de 21 anos teria sido atingido por dois socos e o namorado dele ficou desacordado no local. 

Segundo o relato de uma mulher que trabalha em um mercado próximo onde a agressão ocorreu, tudo começou com uma discussão entre dois grupos que conversavam entre si. A funcionária conta que, após ouvir gritos de "homofóbico", o espancamento começou.

— Juntou muita gente e começou o espancamento. Foi uma coisa muito triste de assistir. Um pessoal tentou se aproximar para tentar apartar a situação, e aí um deles saiu correndo. Ele parecia bastante embriagado — disse.

Em entrevista ao G1 SC, o jovem, que preferiu não se identificar, contou que o grupo disse que iria "virar moda atacar viado" e que ele teria sido agredido por ser considerado afeminado. Ele machucou o rosto após sofrer diversos socos. Já o rapaz de 27 anos, conforme a reportagem do G1, permaneceu internado para observação até a manhã desta segunda-feira. Ele quebrou no nariz e sofreu um contusão na perna. 

Ainda de acordo com o relato do casal, já na 5ª Delegacia de Polícia, eles foram sido impedidos de registrar o boletim de ocorrência, e, quando finalmente foram atendidos, o escrivão disse para os dois "serem menos vitimistas". Ao retrucar, o homem teria gritado e batido na mesa. 

A reportagem do Diário Catarinense tentou contato com o delegado Alfredo Ballstaedt, responsável pela 5ª DP, na noite desta segunda-feira, mas após a primeira ligação, que caiu, não foi mais possível completar a chamada. Ao G1, Ballstaedt confirmou que a ocorrência foi registrada no local, mas que a investigação é de responsabilidade da 10ª Delegacia de Polícia Civil, na Lagoa da Conceição, para onde o boletim de ocorrência teria sido encaminhado nesta segunda-feira. 

Ainda ao G1, o delegado afirma não ter conhecimento do casal ter sofrido preconceito na delegacia e que a prática não é admitida na unidade. Sobre o boletim de ocorrência ter sido registrado como lesão corporal, o delegado afirma que o agente deu o título correto por não existir crime de homofobia. 

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