Toque de recolher por Whatsapp assusta moradores de Palhoça Diorgenes Pandini/Diario Catarinense

Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense

Tiros disparados durante a noite e alertas de suposto toque de recolher enviados por Whatsapp em função da violência assustaram os moradores dos bairros Caminho Novo e Brejaru, em Palhoça, nesta semana. O auge do pânico ocorreu entre quarta (8) e quinta-feira (9), quando as mensagens foram disseminadas pelo celular.

Alunos que moram nas comunidades, mas estudam no Ensino Médio do Colégio Estadual Governador Ivo Silveira, no Centro, acabaram abandonando as aulas e retornando para casa mais cedo por conta do medo.

A assessoria de direção da escola, Elizabete Pacheco Albino, disse que apenas os alunos maiores de idade foram liberados e aqueles cujos pais foram buscar na unidade. Porém, as aulas não foram suspensas. Os estudantes que foram embora por causa do alerta tiveram as faltas justificadas.

A reportagem conversou com os moradores na manhã desta sexta-feira. Nenhum deles quis se identificar por medo de represália. Uma senhora com mais de 70 anos disse que chegou a se jogar no chão quando ouviu disparos de arma de fogo no último fim de semana.

— Faz uns 15 dias que está assim mais complicado. Fiquei apavorada com os tiros.

Outra mulher, de 40 anos, que mora há quase dois anos no Caminho Novo, contou que escolheu Santa Catarina para fugir da violência no Estado natal. Após os últimos episódios, ela tem dúvida se fez a escolha certa.

— Saí de um inferno e vim para outro. Essas mensagens pelo celular me deixam apavorada. 

Enquanto a reportagem circulava pelo bairro, um motociclista armado entrou em um mercado sem tirar o capacete. Ele fez uma compra e saiu sem mostrar o rosto.

Um morador do Brejaru disse que no mercado onde ele trabalha não estão mais fazendo entrega das compras à noite, para preservar a segurança dos funcionários.

O que dizem as polícias

A Polícia Militar de Palhoça afirmou que fez operações durante a semana nos dois bairros, mas não confirmou o toque de recolher e nem os tiroteios. Já a Polícia Civil afirmou que os tiros podem ter ocorrido em função da prisão de integrantes de facções na região. 

Um policial que faz parte do setor de investigação disse que ainda não há regiões em Palhoça dominadas por uma facção paulista que tenta conquistar espaço no tráfico de drogas em Santa Catarina. Porém, há a confirmação de que quatro traficantes tenham se aliado ao grupo paulista, dois deles foram presos.

Além do toque de recolher, os moradores receberam um vídeo de um jovem sendo decapitado. Os criminosos que não mostram o rosto dizem na gravação que pretendem dominar o Estado, e citam bairros de Palhoça e de Florianópolis. O policial civil acredita que o assassinato brutal tenha relação com a guerra entre a facção local e a de São Paulo. Porém, o corpo ainda não foi localizado. 

Na quinta-feira, dois corpos foram encontrados enterrados no Morro do Mosquito, na Praia dos Ingleses, em Florianópolis. Apesar da relação com a guerra, nenhum dos corpos foi identificado como sendo da mesma vítima do vídeo. 

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