Carolina Bahia: reforma da Previdência sempre foi ilusão Ver Descrição/Ver Descrição

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O governo Temer não tem e nunca teve votos para aprovar a reforma da Previdência. O resgate dessa agenda difícil, logo após a votação da segunda denúncia contra o presidente da República, foi uma tentativa do Planalto de fechar o ano com a conclusão do pacote das reformas e a prova de que ainda conta com o apoio consolidado dos partidos aliados. Nem uma coisa nem outra. Deputados consideram que já esgotaram a cota de fidelidade com o sepultamento das duas denúncias e que não têm mais como convencer o eleitor de que a reforma é inadiável. Temer entrará em 2018 com essa pauta pendente e sem força para tirá-la do papel.

Mudar as regras da Previdência é algo difícil em qualquer lugar do mundo. No Brasil, os últimos três presidentes da República (FHC, Lula e Dilma) promoveram modificações na busca de equilíbrio das contas, corte de privilégios e combate à aposentadoria precoce. Medidas que não foram profundas, portanto, insuficientes para impedir um rombo ainda mais evidente com a crise econômica. Em especial na Previdência dos servidores públicos, técnicos sempre alertaram para a falta de sustentabilidade do sistema. O complicado é convencer o trabalhador do Regime Geral que ele, mais uma vez, não vai pagar o pato, enquanto autoridades – como o próprio presidente Temer – já se beneficiaram da chamada aposentadoria dos privilegiados. Aliás, na máquina pública o que não faltam são benefícios que poderiam ser eliminados sem qualquer prejuízo para a prestação de serviços.

Ao apresentar um texto mais enxuto, o Planalto acreditou que rapidamente conseguiria quebrar essas resistências. Mas o tempo é curto e, mais uma vez, o discurso não convence. Em um vídeo nas redes sociais, Temer requentou o anúncio da liberação de recursos para municípios e fez um novo apelo pela reforma da Previdência. Já tem deputado dizendo que não vota agora e nem depois do Carnaval. O resultado é que essa reforma será um assunto obrigatório nas eleições de 2018. O candidato que fechar os olhos para esse problema, ou cair na tentação de manipular os números, estará cometendo estelionato eleitoral. Isso porque o próximo presidente da República terá que iniciar a sua administração mandando para o Congresso uma sólida proposta de reformulação da Previdência.

Marina assume
Depois de insinuar que poderia até ficar fora da disputa em 2018, Marina Silva deve confirmar hoje, em evento chamado Elo Nacional, que será mais uma vez candidata à Presidência da República. Líder da bancada na Câmara, João Derly adianta que a Rede já procurou outros partidos, em busca da ampliação do tempo de TV. 

É bingo
Deputados defensores da liberação dos jogos de azar vão cobrar do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que o projeto de regulamentação seja colocado na pauta antes do Natal. Pronto para ser votado, o texto propõe licitação para instalação de 1 mil casas de bingos no país e a criação de agência reguladora para controlar a atividade.

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