Sindicatos pressionam parlamentares contra reforma da Previdência em aeroporto Cristiano Estrela/Diário Catarinense

Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Sindicatos e servidores públicos se reuniram na manhã desta terça-feira (05) no setor de embarque do Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, para protestar contra a proposta de reforma da Previdência. A estratégia é pressionar os parlamentares catarinenses que costumam embarcar para Brasília nas terças-feiras, quando ocorrem as  sessões deliberativas ordinárias na Câmara dos Deputados. Outras manifestações ocorrem simultaneamente em aeroportos do país. 

Até as 8h, havia pelo menos 30 pessoas no setor de embarque, entre representantes sindicais e servidores da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Associação dos Praças do Estado de Santa Catarina (Aprasc) e Receita Federal. A previsão dos manifestantes era permanecer no saguão do aeroporto até as 11h. O protesto não interrompeu a rotina dos funcionários e passageiros. 

Auditores e sindicalistas da Receita defendem que há outros caminhos além da reforma para equilibrar as contas do governo federal que não abalem o servidor público e o trabalhador da iniciativa privada. 

Na avaliação do auditor fiscal Rogério Penna, os tributos deveriam ser maiores para aqueles que possuem maior poder aquisitivo e não recair tanto sobre as classes com rendas inferiores. 

— Essa tributação pesada recai sobre o pobre e a classe media. O Brasil tributa pouca renda e patrimônio, que é tipicamente o que o rico tem. E tributa muito consumo acima da media e a folha de pagamento na média. O governo está vendendo a ideia de que a reforma é necessária e a única opção, mas não é. Têm formas muito mais justas de a gente tributar — defende o auditor.

Já o Sindicato da Polícia Civil (Sinpol) está preocupado com  o tempo de serviço estipulado pela reforma para se aposentar. A regra para os servidores públicos na proposta é de idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 para os homens. Para os policiais, a idade mínima de aposentadoria será de 55 anos. 

Na avaliação do presidente Anderson Amorim, a reforma afeta a saúde dos policiais e pode ter influência direta na violência, uma vez que o efetivo deverá trabalhar por mais tempo e estará envelhecido para atuar de prontidão contra o crime organizado que, normalmente, recruta os jovens.

— O Brasil é o único que quer ser um Estado mínimo no investimento, mas máximo em interferência na vida do cidadão. O impacto vai ser no aumento da violência. Quem vai combater a criminalidade vai estar com mais idade, como é que equilibra isso? — questiona Amorim. 

A votação da reforma que estava prevista para ocorrer esta semana, na Câmara dos Deputados, foi adiada e ainda não tem data marcada. 

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