Entenda o conflito que originou ataques em Florianópolis Diorgenes Pandini/Diário Catarinense

Foto: Diorgenes Pandini / Diário Catarinense

A disputa de facções criminosas por pontos de venda de drogas no norte da Ilha de SC, em Florianópolis, deu origem aos ataques ocorridos entre tarde e noite de terça-feira. Os grupos _ um criado em SC e o outro em São Paulo _ dominam o tráfico em três comunidades da região: Papaquara, Vila União e Morro do Mosquito.

A maior distância entre um ponto e outro em linha reta é de três quilômetros. A Vila União e o Morro do Mosquito, por exemplo, são separados apenas pela SC-403, rodovia que dá acesso às praias. Outra diferença é quem controla o tráfico de drogas em cada um dos locais, justamente o motivador de constantes confrontos. No Morro do Mosquito e no Papaquara, o controle do tráfico é da facção paulista, segundo fontes ouvidas pela reportagem. Na Vila União, onde os pontos são considerados mais rentáveis, o grupo catarinense lidera. Os comandos nesses locais, no entanto, variam conforme as invasões periódicas naquela área.

Em 2017, por exemplo, foram constantes as tentativas de cada um dos lados de tomar o território alheio. Dessas ações resultaram mortes e confrontos com a Polícia Militar (PM). Na Vila União, em abril passado, cinco pessoas foram assassinadas em uma tentativa de invasão no local.

Na terça-feira à tarde, depois de a PM ter feito apreensões de armas no Morro do Mosquito, criminosos da facção catarinense se aproveitaram da vulnerabilidade dos adversários para tentar dominar as bocas de fumo naquela comunidade.

A polícia conseguiu descobrir a intenção dos bandidos e cercou a localidade, o que motivou a fuga das duas facções para o matagal das proximidades. Como forma de afastar a PM da região, integrantes do grupo catarinense ordenaram ataques em outros pontos da cidade. Os comandos das polícias evitam dar detalhes sobre a atuação das facções, mas garantem que estão trabalhando na região norte da Ilha.

— O grande problema é que temos três partes se enfrentando entre si: as duas facções brigando entre elas e enfrentando a PM. Estamos sufocando a criminalidade na região desde dezembro. As áreas vermelhas em poucas ocasiões registraram mortes dentro das comunidades. Elas têm acontecido nas regiões periféricas. Por isso, agora estamos partindo para esses pontos — garante o comandante do 21º Batalhão da PM, no norte da Ilha, tenente-coronel Sinval Santos da Silveira Junior.

Na Polícia Civil, o diretor da Grande Florianópolis, delegado Verdi Furlanetto, revela que a estratégia é o combate do crime organizado e do tráfico de drogas. Ele destaca como fundamentais a prisão de faccionados e a apreensão de armas, drogas e dos adolescentes envolvidos.

Ainda na nova fase de ações da alta cúpula da Segurança Pública, o coronel Araújo Gomes assume oficialmente hoje, às 10h, o Comando-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina. Atual subcomandante da corporação, ele foi escolhido para o cargo pelo novo secretário Alceu de Oliveira Pinto Junior.

Conflito de facções
Grupos criminosos disputam os pontos de venda de drogas em três comunidades do norte da Ilha. Entenda:

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