Pinho Moreira assume governo de SC em cerimônia na Capital Leo Munhoz/Diário Catarinense

Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense

Do lado de fora do abarrotado Centrosul, nesta sexta-feira à tarde, os carros alegóricos das escolas de samba de Florianópolis ainda estacionados lembravam que todo Carnaval tem fim. Do lado de dentro, milhares de pessoas testemunhavam que os ciclos políticos também têm. Com uma licença para viagem à Espanha, que será emendada provavelmente com férias que culminarão na renúncia em 6 de abril, o governador Raimundo Colombo (PSD) encerrou, na prática, a sua gestão. Entregou o comando do Estado ao vice Eduardo Pinho Moreira (PMDB) após sete anos, em uma cerimônia marcada por emoção, homenagens e avaliações do mandato. E também pela demonstração de força do maior partido de Santa Catarina, que volta ao poder já mobilizado para continuar na Casa d'Agronômica em 2018.

O desenho do enredo foi todo peemedebista, a começar por Pinho Moreira ser o primeiro a chegar e falar brevemente com a imprensa antes da transmissão do cargo — em entrevista em que novamente não descartou ser candidato. No auditório com no mínimo o dobro do público esperado inicialmente de 1,5 mil pessoas, a plateia ia desde senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores e secretários de Estado até a militância devota do PMDB e o eleitorado fiel de Moreira desde os tempos da prefeitura de Criciúma. De chinelos de dedo a ternos alinhados e vestidos longos, todos estavam lá para agradecer Colombo e, principalmente, ovacionar Pinho.

O ato foi rápido e às 15h40min o peemedebista assumia como governador em exercício. Ao assinar os documentos e receber o bóton do governo do Estado, ouviu-se ao fundo duas vivas, seguidas de aplausos. A segunda foi para "Eduardo". A primeira, para "Luiz Henrique".

Fiador da aliança que governa SC há 15 anos e primeiro governador eleito por ela em 2002, Luiz Henrique da Silveira, morto em 2015, esteve presente em outros momentos da cerimônia. Primeiro quando a viúva Ivete Appel da Silveira, entregou duas gravatas usadas por ele — uma azul a Colombo, uma vermelha a Pinho Moreira. Depois, nos discursos dos dois governadores, o em exercício e o licenciado, que reverenciaram a habilidade política, a trajetória e o legado de LHS.

Muito emocionado, Colombo agradeceu ao trabalho de toda a equipe que o acompanhou, reforçou o estilo político e pessoal conciliatório e ressaltou a importância das ações do Executivo e também dos outros poderes para que Santa Catarina passasse pela crise nacional melhor do que outros estados.

— Cumpro aqui minha missão. Ao longo dessa jornada aprendi que muito mais importante é você discutir a mensagem e que é sempre muito importante você respeitar o mensageiro. As coligações, a convivência com os partidos, o respeito a cada um, isso é a base mais sólida pra que o Brasil vença suas dificuldades estruturais que estão aí, mas consolidem o bem maior que é a democracia e a liberdade. Nós somos fruto de uma aliança política que ninguém acreditava que fosse possível, e que se fosse não aguentaria o primeiro mandato. Estamos aqui para dizer que o instinto público, o desejo de unir SC e a capacidade de explorar valores humanos nos tornaram pessoas que venceram também esse desafio — declarou.

Depois de parte do público o saudar quando subiu ao palco com o jingle de quando concorria à prefeitura de Criciúma ("bate o coração de novo/o povo levanta a bandeira/a razão diz que o homem/é Eduardo Moreira"), Pinho discursou. Também lembrou Luiz Henrique e como o incentivo e a visão dele foram fundamentais tanto para a carreira do agora governador quanto para a costura política no poder hoje. Fez um paralelo com os imigrantes que vieram para Santa Catarina em busca de um lar, voltou a afirmar que saúde e segurança serão prioridades da sua gestão e destacou a descentralização, maior marca dos governos de LHS, pontuando que passados 15 anos, adequações são necessárias:

— Aprendemos a ouvir as pessoas e colocar elas em primeiro lugar. Tenho certeza que esse é o caminho certo. Assumo  o governo com a mesma coragem e força de vontade dos açorianos, italianos, alemães, africanos e tantas outras etnias que com seu trabalho construíram a base para que SC se tornasse um reduto de prosperidade. Uma santa frase diz que os navios estão preservados e podem ter sua beleza melhor apreciada quando estão ancorados no porto, mas não é para isso que eles foram feitos. Isso faz muito sentido hoje, porque me sinto pronto para mais uma vez ir ao mar.

Encerrada a solenidade, Colombo logo saiu para voar rumo à Europa. Pinho foi cumprimentado no palco pela multidão em fila — e não é exagero dizer que foi quase um a um. O ciclo político de Colombo na Agronômica chegou à apoteose. O de Pinho pede passagem e já começa a percorrer a avenida. E a evolução política nos próximos meses é quem dirá se estarão juntos no próximo Carnaval.

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