Santa Catarina manteve o bom desempenho no turismo em 2017. Na comparação com os 12 meses do ano anterior, o volume de vendas do setor cresceu 6,7%. O resultado foi o terceiro melhor do país, atrás de Goiás (11,1%) e Pernambuco (8,2%). Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) na sexta-feira. A variação do país, porém, foi o oposto da realidade catarinense: caiu 6,5% no período.

O resultado positivo do Estado no ano foi puxado pela melhora consecutiva nos últimos meses de 2017. Na comparação com o mesmo período de 2016, a alta em novembro foi de 5,4% e em dezembro, 19%, o melhor resultado para o mês no país. Atrás aparecem Pernambuco (16,5%) e Ceará (12%). Na outra ponta, as duas maiores quedas entre os dezembros são do Distrito Federal (-16,2%) e Rio de Janeiro (-15,5%). A média nacional no período ficou em -6,3%.

O presidente da Santa Catarina Turismo (Santur), Valdir Rubens Walendowsky, afirma que o bom desempenho de Santa Catarina não é uma surpresa. Investimentos das iniciativas pública e privada, a posição geográfica do Estado – próximo de grandes centros brasileiros e do Mercosul – além de ações em infraestrutura, como a duplicação completa da BR-101, são apontados por ele como aspectos que impulsionaram o setor.

– Houve incentivo aos municípios para que evoluíssem, investissem na indústria turística. Temos que trabalhar ainda mais para manter esse posicionamento – diz.

No ano passado, a receita nominal das atividades turísticas cresceu 15,6% em Santa Catarina na comparação com os 12 meses de 2016. No país, o setor atingiu alta de 4% no período.

Foto: Arte DC / DC

Serviços registram queda no ano

Embora o turismo catarinense registrou alta em 2017, o volume das vendas no setor de serviços terminou o ano com queda de 5,3%, segundo o IBGE. No país, a variação com relação aos 12 meses de 2016 também foi negativa: -2,8%.

O número surpreende, já que SC tem histórico positivo nesse indicador. Os vizinhos Paraná (5%) e Rio Grande do Sul (-3,3%) se saíram melhor que o Estado.

Os serviços prestados às famílias (16,3%), os transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio (1,1%) e outros serviços (6%) foram os que mais cresceram ao longo de 2017. Por outro lado, serviços de informação e comunicação (-13%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (-10,6%) terminaram o ano com variação negativa. 

Em dezembro de 2017, o setor de serviços teve variação de 3,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas o desempenho não conseguiu puxar para cima o acumulado do ano. Esse foi o único resultado positivo do Estado no último trimestre do ano, que em outubro foi de -1,6% e, em novembro, de -0,6%. 

Em dezembro, o destaque ficou por conta dos serviços prestados às famílias, que saltou 30% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

– A recuperação dos serviços geralmente é mais lenta, atua a reboque de outros setores. À medida que tem recuperação, principalmente na indústria, o setor de serviços tende a ter uma melhora. Os governos ainda estão com problemas fiscais. Num momento de corte de gastos e equilíbrio do orçamento, serviços terceirizados serão cortados – explica o analista da coordenação de serviços e comércio do IBGE, Roberto Saldanha.

Para o presidente da Associação Catarinense de Tecnologia, Daniel Leipnitz, o resultado negativo que também abrange as companhias de Tecnologia da Informação (TI) no Estado surpreende negativamente. Ele acredita que o indicador pode ter sido puxado por alguma empresa de grande porte ligada à indústria ou ao próprio governo.

– Aqueles segmentos dentro do nosso setor que trabalham com vendas ou que dependem do governo ou da indústria acabaram afetados de certa forma. Porém, temos uma série de outros números que são positivos, como a criação de novas empresas – diz Leipnitz.

Foto: Arte DC

Colaborou Roelton Maciel

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