Após cinco anos de investigação paralela à das autoridades no caso da menina Isabella Nardoni, o jornalista Rogério Pagnan deve lançar, em 19 de março, um livro que conta uma versão diferente para o assassinato de 2008. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o livro O pior dos crimes — A história do assassinato de Isabella Nardoni, confronta o trabalho do promotor Francisco Cembranelli, da delegada Renata Pontes e da principal perita do caso, Rosangela Monteiro, que aponta o casal Alexandre Nardoni, pai da menina, e Anna Carolina Jatobá, madrasta, como autores do crime.

A versão apresentada pelo trio afirma que Isabella teria sido atirada do sexto andar, após Alexandre cortar a tela de proteção do quarto dos filhos. Antes, a menina ainda havia sido agredida pela madrasta, no carro — o que causou um corte na testa —, atirada no chão pelo pai — que resultou em ferimentos no quadril e fratura no pulso —, e estrangulada por Anna Carolina.

Segundo o repórter, contudo, os lastros periciais mencionados para fundamentar a tese não eram verdadeiros. Para comprovar que Anna Carolina teria agredido Isabella ainda no carro, por exemplo, eles disseram que o exame laboratorial, feito em uma mancha encontrada na cadeirinha de bebê no banco de trás do veículo, havia dado positivo para a presença de sangue da menina — informação usada por Cembranelli para convencer o júri da culpa da madrasta. Conforme Pagnan, no entanto,
a perícia nunca apontou que houve sangue de Isabella no carro, mas constatou que a mancha era um material biológico que se assemelhava a saliva ou catarro.

Além das supostas amostras de sangue da menina, outras provas usadas pelos acusadores — como um vídeo de simulação da polícia científica e procedimentos da imprensa na cobertura do caso — foram questionados pelo jornalista.

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, que responde pela delegada e pela perita, informou que "o caso já foi julgado pelo Tribunal do Júri, oportunidade na qual todas as provas, alegações e versões foram apreciadas pelos jurados, não cabendo mais à polícia e à secretaria comentá-lo".

O ex-promotor e hoje procurador Cembranelli diz que a afirmação de que houve falhas e fraudes na investigação é "leviana, criminosa e merecerá, se confirmada, as medidas judiciais criminais e indenizatórias contra o autor".

Alexandre foi condenado a 30 anos, dois meses e 20 dias de prisão e Ana Carolina, a 26 anos e oito meses pela morte de Isabella. A madrasta cumpre, desde julho de 2017, pena em regime semiaberto. Já o pai da menina cumpre pena na Penitenciária Doutor José Augusto Salgado, em Tremembé (SP).

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