Cerca de 100 policiais federais estão mobilizados na manhã desta terça-feira para o cumprimento de quatro mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão da Operação Outorga, que investiga fraudes na obtenção de financiamento agrícola por  um empresário de Abelardo Luz, no Oeste catarinense. Membros da família dele também são investigados.  Segundo a PF, o empresário — cujo nome não foi revelado —  é suspeito de fraudar documentos e usar laranjas sem relação com o setor agrícola para ter acesso aos recursos. 

A investigação da PF aponta que o empresário inicialmente obteve financiamentos agrícolas em seu nome. Depois, quando o seu crédito já havia se esgotado, ele passou a utilizar parentes e funcionários de suas empresas, entre eles motoristas de caminhão, para conseguir o dinheiro, cuja única destinação legal deveria ser o fomento agrícola. 

Os financiamentos eram obtidos junto a uma instituição financeira de Abelardo Luz. Segundo a investigação, alguns funcionários dessa instituição ajudaram no esquema e um deles chegou a tornar-se sócio do principal investigado. A PF diz ainda que a mulher do empresário suspeito também teria se envolvido nas fraudes, já que era titular, na época dos acontecimentos, do Cartório Extrajudicial da cidade.

Ao todo, foram outorgadas 29 procurações para que o empresário suspeito pudesse movimentar os valores obtidos nos financiamentos dos laranjas. Essas outorgas teriam sido concedidas por meio de documentação fraudulenta, de acordo com a PF.

As fraudes teriam ocorrido entre 2011 e 2016. No total, foram obtidos R$ 41,4 milhões de financiamentos agrícolas, cujo valor foi destinado para as contas pessoais dos investigados, segundo a PF. Além dos mandados de prisão temporária e busca apreensão, também foi autorizado judicialmente o sequestro de bens e o bloqueio de valores. A operação se concentra nas cidades de Abelardo Luz (SC), Xaxim (SC), Xanxerê (SC), Palmas (PR), Clevelândia (PR), Pato Branco (PR), Cuiabá (MT), Chapada dos Guimarães (MT) e Rosário Oeste (MT).

Segundo o delegado Sandro Luiz Bernardo,um dos responsáveis pela investigação, apenas um mandado de prisão temporária ainda não foi cumprido, em Cuiabá, nesta manhã. Todos os 25 mandados de busca e apreensão foram realizados.

— O próximo passo agora é analisar toda essa documentação (apreendida) — diz Bernardi.

Ele fala que a investigação ainda precisa verificar a destinação final dos valores e que, em muitas vezes, funcionários do empresário assinavam procurações sem ler, fazendo com que ele tivesse acesso às contas bancárias.

Os crimes investigados pela Polícia Federal são falsidade ideológica, obtenção de financiamento agrícola mediante fraude, aplicação de recursos de financiamento em finalidade diversa da prevista em contrato, peculato (apropriação de valores em prejuízo dos cofres públicos), lavagem de dinheiro e organização criminosa. 


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