No último dia 15, a Casan assinou a ordem de serviço para as obras de despoluição da Baía Norte, em Florianópolis. Conforme o contrato, o prazo de execução é de oito meses ao custo de R$ 17 milhões. A Casan afirmou que não será preciso despoluir toda a baía para o trecho em frente à Beira-Mar Norte ser próprio para banho. O Prova Real checou. Confira: 

"A bactéria, o coliforme fecal, não tem nadadeira nem jet ski, e anda no máximo a 200 metros (do ponto de despejo). Hoje, a Baía Norte já é própria para banho a 200 metros da orla."
Valter Gallina
, presidente da Casan, ao defender que não é necessário tratar também toda a área continental da Beira Mar para garantir a balneabilidade da praia da Beira Mar Norte, na ilha. Jornal Hora de Santa Catarina, 15/03/2018.

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Não é bem assim, prova real, fact-checking
Foto: Artes DC / Artes DC

Os dados oficiais disponíveis não dão embasamento à afirmação. Em termos técnicos e científicos, não é possível afirmar que coliformes fecais se movem no máximo por 200 metros do ponto de despejo. O Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental, da Universidade Federal de Santa Catarina, esclarece que a movimentação de bactérias é variável e depende de uma série de análises específicas da área de banho em questão, como avaliações de dispersão e de fluxo, com modelagens matemáticas. 

Sobre a Baía Norte já ser própria para banho a 200 metros da orla, o IMA (Instituto do Meio Ambiente), responsável pelos testes oficiais de balneabilidade em Santa Catarina, não comprova. "Esta afirmação dependeria de testes de balneabilidade, que só devem ser realizados se solicitados e quando as obras forem concluídas", esclareceu a assessoria de imprensa do IMA, ao ser  consultada pelo Prova Real. 

 Além disso, todas as análises feitas pelo IMA em 2018, seguindo as regras do Conama, obrigatórias em lei, apontaram a água da Beira Mar Norte como imprópria para banho. Os pontos de coleta são inferiores a 200 metros da orla, pois consideram os locais onde existe o contato das pessoas com a água para fins de recreação.  

O que diz a Casan

A assessoria de Valter Gallina informou que o presidente da Casan baseou-se, exclusivamente, em relatórios de análise da água feitos pela companhia (set/17, nov/17 e jan/18) e em outras duas referências, não usadas como parâmetro oficial para fins de balneabilidade: mapas que apontam campos de correntes geradas pela maré a partir de um modelo hidrodinâmico e  trabalhos realizados pela Epagri para a definição de áreas propensas ao cultivo de moluscos nas baías. Para a assessoria de imprensa da Casan, esses documentos - que apontam como áreas infectadas pelos coliformes fecais apenas os pontos mais próximos da orla – são suficientes.

O Prova Real é a iniciativa de fact-checking e debunking da NSC Comunicação. Você também pode sugerir temas pelo e-mail provareal@somosnsc.com.br ou pelo WhatsApp (48) 99188-2253.

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