SC vê necessidade de ampliar efetivo e vigilância nas fronteiras e divisas Felipe Carneiro/Diário Catarinense

Foto: Felipe Carneiro / Diário Catarinense

Antes de apresentar o balanço da Operação Ferrolho na tarde desta quinta-feira em Florianópolis, o comando da Polícia Militar pediu um minuto de silêncio aos presentes. Foi uma homenagem ao aluno cabo Rafael Massoco, 37 anos, morto por afogamento em Piratuba durante um acidente com a embarcação em que atuava. Outros dois PMs se salvaram.

Cerca de 1,5 mil policiais participaram da Operação que visou trancar Santa Catarina, em divisas e fronteiras, em mais de 300 pontos de fiscalização principalmente da entrada de drogas e armas. As autoridades dos três Estados do Sul destacaram a capacidade de mobilização e integração. A situação de eventual migração de criminosos do Rio de Janeiro para o Sul em razão da intervenção federal naquele Estado também ficou evidente.

- O objetivo não era fazer grandes prisões e apreensões e sim o caráter preventivo, demonstrar a capacidade de operacionalizar e proteger diante de crises. Mas notamos uma movimentação da criminalidade na região Sul para tentar ver o que estava acontecendo - disse o comandante-geral da PM de SC, coronel Araújo Gomes.

O aparato ficou desde às 6h em atividade e permaneceu em atuação até às 18h. Segundo a PM, até às 16 horas foram checados as identidades de mais de 30 mil pessoas e os dados de cerca de 15 mil veículos. A apreensão de oito quilos de drogas no terminal Rita Maria em Florianópolis e a prisão de uma liderança de facção do Rio de Janeiro em Balneário Camboriú foram as duas ocorrências destacadas.

O comandante da PM disse que há necessidade de mais atuação policial nas divisas e fronteiras, mas reconheceu ser um grande desafio da segurança pública. Gomes citou que apenas em Florianópolis foram apreendidas 350 armas em 2017, a maioria delas de fabricação estrangeira.

"SC passa a ser desinteressante para o crime", diz secretário Alceu

Presente na coletiva, o secretário de Segurança, Alceu de Oliveira Pinto Júnior, deu um recado para o crime organizado diante da ofensiva:

— Santa Catarina passa a ser desinteressante para as organizações criminosas, que devem procurar outro lugar para trabalhar — destacou Alceu.

Segundo o secretário, o custa da operação foi de R$ 30 mil, valor que considerou insignificante diante dos resultados de mobilização, aprendizagem e experiência com o cerco.

— Conseguimos fechar as fronteiras e tivemos a noção do tempo necessário para fechar o Estado.

Alceu negou relação com a suposta migração de bandidos do Rio de Janeiro, mas que fez recentemente contato com o secretário de Segurança, o general Richard Nunes, que trabalhou no Exército de SC, para tratar do assunto. O secretário destacou o ineditismo da ação desta quinta-feira.

O secretário catarinense afirmou que se trata de "uma nova forma de ação" ao ser indagado do motivo pelo qual a operação desse porte nunca havia sido realizada em SC. O Estado vivencia há pelo menos dois anos a vinda de uma facção de São Paulo, que vem sendo a responsável pela explosão de assassinatos em Florianópolis e em Joinville pela tomada de pontos de drogas com a quadrilha local de SC.

Autoridades da segurança pública de outros Estados acompanharam a coletiva por videoconferência e também se manifestaram. O secretário de Segurança do RS, Cesar Schirmer, destacou a integração e a união neste momento em que o País atravessa situação preocupante com avanço da criminalidade, principalmente diante do quadro do Rio de Janeiro. 

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