Professor da Udesc é investigado por assédio sexual em Florianópolis Marco Favero/Diário Catarinense

Faixa colocada em muro da universidade pede explicações sobre o caso

Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Um professor da  Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) está sendo investigado depois de pelo menos nove estudantes terem registrado boletim de ocorrência na Delegacia de Proteção à Criança, Mulher e Idoso de Florianópolis por assédio sexual. De acordo com a apuração da NSC TV, elas resolveram procurar a polícia após outra denúncia, também feita por uma acadêmica da instituição, no dia 7 de fevereiro.

As nove universitárias contam que foram vítimas de abuso sexual e psicológico dentro da Udesc por parte de um professor de história do Centro de Ciências Humanas e da Educação - a NSC ainda não vai divulgar o nome do professor porque a investigação está em estágio inicial.

Segundo os relatos das alunas, o assédio acontecia durante encontros de grupo de pesquisa e orientações acadêmicas. A reportagem conversou com as estudantes que relataram as situações:

— As orientações eram com as portas fechadas. A porta era sinalizada que estava em orientação para não haver interrupções, não podia entrar. Comigo aconteceu de ele abraçar e botar a mão por dentro da blusa. Tem outras meninas que aconteceram outras coisas — conta uma das acadêmicas. 

— Ele sentou na mesa dele e colocou meu pescoço no meio das pernas. Fiquei nervosa e pensei "Nossa isso tá acontecendo comigo". Eu não consegui acreditar. Por mais que já houvessem vários casos, vários relatos de meninas assediadas por ele, assédios não tão diretos assim, eu não consegui acreditar — explicou a aluna que diz ter mudado o tipo de roupa que usava na universidade por causa do assédio do professor.

— Eu me sentia exposta. Os olhares dele, os comentários. Um dia em específico, fui com um vestido até o pé, bem comprido, para não causar nenhum tipo de desconforto para mim —relata a terceira aluna. 

A investigação sobre as denúncias de assédio destes nove casos já começou. O delegado Paulo Henrique Ferreira de Jesus afirma que as vítimas têm declarações bastante harmônicas.

— Elas relatam basicamente que o professor se aproveita dessa posição superior e as convida pra sair, troca mensagens nos fins de semana, troca abraços mais íntimos — acrescenta. 

A advogada Isadora Tavares, que atende às nove estudantes, diz que o professor facilitaria o mestrado ou doutorado das estudantes se elas se submetessem.

— Inclusive é uma frase que ele usava, está no relato de uma das meninas: submetam-se — diz.

Uma outra estudante registrou um boletim por estupro em fevereiro. Segundo a advogada dela, a aluna teria ido até a casa do professor para uma orientação acadêmica. Na época, não viu problema por ter uma relação com a família dele. Mas, naquele dia, ele estava sozinho e ofereceu bebida à jovem. De acordo com a advogada, o professor a convenceu a ter relações sexuais com ele. Este caso foi encaminhado para a Delegacia de Palhoça, onde fica a casa do professor.

Udesc abre sindicância

A Udesc também iniciou uma investigação administrativa. A universidade abriu, no início da semana, uma sindicância interna pra apurar as denúncias de abuso sexual dentro da universidade. Uma comissão é composta por três professores e um técnico administrativo tem trinta dias pra ouvir as partes e investigar o caso.

O que diz a defesa

O professor está afastado da universidade, devido a um pedido de licença médica por 30 dias. Ele nega as acusações. Por e-mail, o advogado de defesa diz que  o professor "irá provar em juízo que não praticou estupro, assédio moral ou sexual ou qualquer outro tipo de ilegalidade ou imoralidade em sua vida privada ou profissional". 

A defesa também respondeu o questionamento da reportagem sobre a acusação de estupro, dizendo que "no Boletim de Ocorrência, a própria vítima declarou espontaneamente que não houve violência, ameaça ou constrangimento. Diz ainda que, com base neste depoimento e na dinâmica dos fatos, terão condições de provar em juízo que não houve estupro e sim uma relação consensual".

 Alunas pedem afastamento

Pelo menos três alunas também pediram afastamento da universidade. Uma das jovens diz que teve que procurar apoio psicológico. 

— Estou indo na psicóloga e no psiquiatra. Também não consigo dormir. Tenho medo de ir para a universidade. Não me sinto segura, eu vou pedir atividade domiciliar. Realmente me sinto ameaçada — relata.  

— Quero que ele pague pelo que ele fez. Ele destruiu a vida de muitas meninas academicamente, psicologicamente, moralmente também. Tem que parar. Ele precisa pagar — argumenta outra estudante.

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