Confira a situação dos serviços afetados pelo quinto dia de greve em SC Cristiano Estrela / Diário Catarinense/Diário Catarinense

Com pouco combustível, os ônibus de Florianópolis estão operando de acordo com a tabela de horários de sábado

Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense / Diário Catarinense

A manutenção da greve dos caminhões nesta sexta-feira continua afetando serviços essenciais dos moradores de Santa Catarina. No início da tarde havia 118 bloqueios nas rodovias, várias cidades sem combustível, limitação do transporte coletivo e escolas com aulas prejudicadas em Santa Catarina. Veja a situação nas regiões de Santa Catarina.

Situação na Grande Florianópolis

Transporte coletivo: em Florianópolis os ônibus operam com horários reduzidos na esperança de conseguir garantir combustível para a frota circular até o fim de semana. Nesta sexta-feira os horários são os de sábado e no sábado os horários serão os de domingo. Domingo haverá circulação na tabela normal de domingo. Na tarde desta sexta-feira a prefeitura de Florianópolis se mobilizou e conseguiu negociar o abastecimento de combustível para a saúde e segurança. A coleta de lixo, que só operou em 30% da capacidade ao longo do dia, deve ter o serviço normalizado ainda durante a noite. 

Educação: houve algumas alterações no atendimento de unidades de ensino infantil. Na Creche Municipal Almirante Lucas Alexandre Boiteux, no Centro, as 275 crianças foram dispensadas por conta da falta de gás. O motivo foi o mesmo que levou a suspensão do atendimento na Creche Joel Rogério de Freitas, no Monte Cristo, após o meio-dia. As demais unidades funcionam normalmente.

Saúde: nesta sexta-feira há apenas a suspensão das cirurgias eletivas nos hospital do Estado, sendo que os casos de urgência e emergência seguem recebendo atendimento nos hospitais da região. O Hospital Universitário da UFSC também orienta que os pacientes com consultas marcadas não compareçam ao local, já que os agendamentos serão remarcados.

Combustível: após o desabastecimento praticamente total de combustível na Grande Florianópolis, dois caminhões conseguiram reabastecer postos de combustível na Avenida Mauro Ramos, na Capital, e na Avenida Presidente Kennedy, em São José. As longas filas voltaram a se repetir, aumento o trânsito até da Avenida Beira-Mar Norte. Com exceção desses dois casos, quase todos os postos sequer abriram nesta sexta. No fim da tarde desta sexta-feira, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Minerais de Florianópolis (Sindópolis) informou que, até o momento, o prejuízo dos postos da Grande Florianópolis já ultrapassa R$ 1 milhão por dia. 

Farmácias: a reposição de medicamentos, em especial aos chamados "medicamentos de geladeira", já preocupa os empresários. Apesar de boa parte das farmácias ainda ter estoque para reposição, na Lagoa da Conceição, por exemplo, a gerente de uma unidade de uma grande rede de farmácias alerta para a falta de alguns tipos de insulina. 

Aeroportos: as operações seguem normalmente no aeroporto Hercílio Luz. A situação deve ser atualizada ainda nesta sexta-feira, mas previsão da Floripa Airport é que voos sejam comprometidos a partir de sábado, caso a situação não seja normalizada.

Situação no Vale do Itajaí

Combustível: o estoque de gasolina dos postos de combustíveis em Blumenau terminou completamente já na quinta-feira à tarde, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de derivados de Petróleo de Blumenau (Sinpeb). No entanto, alguns postos no município ainda conseguiram disponibilizar etanol e diesel na manhã desta sexta-feira.

Situação na região Sul

Combustível: os postos continuam vazios e o movimento de carros nas ruas diminuiu. Os poucos estabelecimentos que abrem as portas esgotam o estoque de combustível rapidamente. 

Supermercado: alguns supermercados, inclusive atacadistas, decidiram limitar a oferta de produtos por cliente. A prática recebeu o aval do Procon de Santa Catarina. Todos os municípios do Sul reduziram os serviços que dependem de combustível ou de insumos trazidos por rodovias.

Agronegócio: os produtores de aves e suínos no Sul estão desesperados com a falta de insumos para alimentar os animais, já que os produtos não estão chegando por causa da paralisação nacional dos caminhoneiros. Juntas, as regiões de Araranguá, Criciúma e Tubarão produzem anualmente mais de 800 mil cabeças de suínos (principalmente em Braço do Norte) e 117 milhões de frangos (com produção bastante distribuída entre vários municípios).

Aeroporto: o Aeroporto Regional Humberto Ghizzo Bortoluzzi, em Jaguaruna, informou que só dispõe de combustível para os aviões para a tarde desta sexta-feira. A RDL Aeroportos, que administra a unidade, espera a chegada de uma carga para dar continuidade às atividades a partir de domingo (não há voos comerciais aos sábados no aeroporto). Duas companhias aéreas operam no aeroporto de Jaguaruna: Latam e Azul. Ambas oferecem voos diários para São Paulo.

Situação na região Norte 

Joinville*

Supermercados: segundo a prefeitura de Joinville, a Central de Abastecimento (Ceasa) estará fechada neste sábado devido à restrição de fornecimento de alimentos. Nesta sexta-feira, a redução do atendimento foi intensificada em consequência dos bloqueios nas estradas. A retomada do serviço será feita com o fim da paralisação do setor de transporte. Na manhã desta sexta, dos 98 itens distribuídos no local, o Ceasa está somente com 18. Dos nove boxes que fazem a revenda para atacadistas, pequenos mercados e verdureiras da cidade, apenas três abriram as portas durante a sexta-feira. 

Combustível:  cerca de 90% dos postos de combustíveis de Joinville estão sem gasolina comum. Como reflexo, poucos carros circulavam pelas ruas da cidade que geralmente são as mais movimentadas em horários de pico.    

Indústria: em Joinville algumas pararam parte da linha de produção e outras se preparam para interromper os trabalhos e dar férias para os empregados caso a situação não seja normalizada. O problema é que as empresas não têm como receber matéria-prima ou escoar a produção por causa da mobilização nas rodovias da região Norte do Estado. A Acij deve ter um balanço do prejuízo financeiro das empresas a partir de segunda-feira. 

Portos: os portos da região Norte ainda não avaliam prejuízos para a unidade e afirmam que não é possível fazer um levantamento do impacto financeiro dos operadores portuários. Desde quarta-feira, nenhum caminhão chegou ao acesso aos portos de São Francisco do Sul e Itapoá. Até a tarde desta sexta, as unidades portuárias continuavam em operação porque há armazenamento de cargas para serem embarcadas, da mesma forma que algumas cargas que podem ficar no porto. 

Educação: aulas mantidas normalmente. Não há prejuízo no fornecimento de merendas. 

Saúde: hospitais e postos de saúde funcionando normalmente. Não houve comprometimento no fornecimento de remédios e nem no deslocamento de ambulâncias.

Segurança: viaturas da guarda municipal funcionam normalmente.

Transporte público: os ônibus tem combustível para circular e operar normalmente nos próximos dias em Joinville. Nesta tarde, as empresas devem se reunir junto aos distribuidores para avaliar qual a situação dos próximos dias se a greve continuar. 

Coleta de lixo:  a empresa Ambiental, concessionária que realiza a coleta de lixo, utiliza alternativas para manter os estoques de combustível, que devem durar até segunda-feira.  Portanto, o serviço poderá sofrer restrições nos próximos dias. A empresa orienta aos moradores a não colocar os lixos nas calçadas durante este período de paralisação para evitar acúmulo do material em áreas públicas. 

* Veja a situação em outras cidades da região Norte

Situação no Litoral

Portos:  até quarta-feira à noite, alguns caminhões ainda estavam entrando e saindo do porto de Itajaí, mas desde quinta-feira isso parou. Os navios, no entanto, continuam chegando ao porto e trazendo as cargas. Se a situação não mudar, a expectativa da superintendência é de que no domingo à noite o espaço de armazenagem fique totalmente lotado. Não há risco de perder os produtos parados no pátio pois as cargas são refrigeradas. A previsão é de que pelo menos três semanas serão necessárias para regularizar a movimentação após o fim da greve. 

Combustível: em Balneário Camboriú a prefeitura informou na tarde desta sexta-feira que conseguiu adquirir 30 mil litros de combustível _  25 mil litros de gasolina e 5 mil litros de diesel _ para abastecer a frota da saúde, educação e segurança.

Educação: em Balneário Camboriú as aulas da rede municipal foram suspensas na segunda-feira. No começo da semana uma nova avaliação será feita para avaliar a situação. Segunda a prefeitura, os pais e responsáveis dos alunos já foram avisados sobre a decisão, que foi tomada por conta da dificuldade de locomoção dos funcionários e do desabastecimento de frutas e verduras nas unidades. 

Situação na Serra 

Educação: em Lages todo o sistema de ensino teve as aulas suspensas, desde a educação infantil até o ensino fundamental. O decreto foi expedido nesta sexta-feira, determinando o cancelamento das aulas na próxima segunda-feira, quando a situação será reavaliada. Entre os transtornos que levam a prefeitura a tomar essa decisão estão o desabastecimento de postos de combustíveis, distribuição de gás e o não fornecimento de itens para a merenda escolar. 

Saúde: hospitais da região de Lages possuem oxigênio para mais uma semana. Não há falta de medicamentos por enquanto e os que estavam em transporte foram liberados para entrega. 

Combustível: até esta sexta-feira, 95% dos postos da cidade já não tinham mais combustível.

Situação no Oeste 

Combustível: em Chapecó ainda não há restrição de fornecimento de combustível, no entanto o município vai ceder combustível aos veículos de segurança da Polícia Militar em caso de necessidade. A cidade decretou situação de emergência por conta dos impactos da greve.

Agroindústria: a situação se agrava a cada dia no campo, onde já há sacrifício de pintinhos que não podem ser transportados, leite jogado fora pois não pode ser recolhido e racionamento de comida para os animais. Cerca de 50 indústrias, que empregam cerca de 15 mil pessoas, estão parando e sete milhões de litros de leite por dia serão jogados fora. Alguns produtores estão descartando leite desde quarta-feira.

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