Falta de produtos se agrava na Ceasa e nos supermercados de SC Betina Humeres/Diario Catarinense

Foto: Betina Humeres / Diario Catarinense

A sexta-feira é mais um dia de dificuldades nos supermercados de Santa Catarina, que continuam operando dentro das possibilidades de cada estabelecimento, com estoques cada vez mais reduzidos. A Associação Catarinense de Supermercados (Acats) está monitorando a situação e informa que os principais problemas são com hortifrúti e com produtos perecíveis e carnes in natura.

A maioria das lojas está bem abastecida em categorias de produtos de longo prazo de validade principalmente em cidades de pequeno porte do interior. Nestas localidades o abastecimento é feito com intervalos mais longos e a cada visita os supermercados aproveitam para formar estoques altos.

A tendência para o fim de semana, segundo a Acats, ainda é de condições mínimas de funcionamento e atendimento para todas as lojas, já que as falhas de produtos, por enquanto, são parciais, concentradas nas categorias de frutas, legumes, verduras e perecíveis de curto prazo de validade.

Já na próxima semana, caso a reposição de produtos não aconteça a partir de segunda-feira, novas categorias passam a representar risco de indisponibilidade. O principal item é o pão, pela falta de matéria-prima e por falta de gás. Os fabricantes de pães industrializados de outros estados, cuja validade varia entre 7 e 14 dias, não conseguem entregar novos produtos e estes também passarão a correr risco de se esgotar nas prateleiras.

Frios e laticínios, verduras e frutas de larga escala de consumo como batata e tomate, carnes in natura e resfriadas em geral, frutas de fornecedores de outros Estados, como melão e mamão e pães frescos e industrializados são os principais produtos que correm risco de se esgotar totalmente nas gôndolas a partir da semana que vem.

Limitação de venda de produtos

Conforme a Acats, a limitação da quantidade de produtos vendidos por cliente já é uma realidade que se amplia, variando a loja, localização, demanda verificada e estoques. As restrições, autorizadas pelo Procon/SC, são informadas no interior das lojas e seções por quantidades em cartazes bem visíveis. As categorias que já estão com venda limitada em várias regiões são: leite longa vida, derivados do leite, água mineral e carnes.

Estoques terminam sábado na Ceasa

Na Central de Abastecimento de SC (Ceasa) em São José, o movimento de produtores e compradores diminui a cada dia. Conforme o gerente de mercado, Thiago Neves Teixeira, já há falta de produtos como ovos, tomate, batata doce, mamão, pimentão, pepino e uva. Alguns permissionários afirmam que o estoque irá terminar no sábado.

Além disso, os próprios funcionários da Ceasa estão com dificuldades de chegar ao trabalho, no bairro Barreiros, já que muitos vêm de cidades vizinhas. Por isso a entidade avalia fechar a central em alguns períodos.

Dona Evanir da Cunha Wilvert é produta rural em Antônio Carlos. Para chegar ao Ceasa, onde vendem os legumes que cultivam, ela e o marido estão fazendo um caminho muito mais longo, por São Pedro de Alcântara, para não cair no bloqueio de caminhoneiros em Biguaçu.

— E aí chegamos aqui e não tem comprador porque muitos estão parados no bloqueio! O agricultor é o que mais está sofrendo com essa greve — lamenta.

Marlon Delavecchia tem um box de frutas e verduras na Ceasa que está vazio. Os dois caminhoneiros que trabalham para ele trazendo hortifrúti estão parados em um bloqueio no Paraná. Sem nada para fazer na Ceasa, ele foi embora antes do meio dia com o bolso vazio.

Levantamento da Fecomércio aponta impactos no setor

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio/SC) fez uma sondagem com empresários do setor durante a quinta-feira para avaliar os impactos da greve dos caminhoneiros autônomos no abastecimento das empresas. Para 77,3% dos entrevistados, a greve dos caminhoneiros afetou o abastecimento e a atividade da empresa de alguma maneira.

O desabastecimento supera 50% dos empresários ouvidos: 61,4% das mercadorias ou insumos não chegaram ao destino. Os segmentos mais afetados foram transporte intermunicipal (93,3%) e postos de gasolina (86,3%), com falta de combustível, e restaurantes (55,8%), que deixaram de receber os alimentos.

A Fecomércio também perguntou se os empresários adotaram alguma estratégia para contornar o desabastecimento neste período de paralisação. A maioria deles (60,5%) foi pega desprevenida e não adotou nenhuma estratégia. No entanto, 38,7% adotou algum tipo de medida para contornar a escassez de produtos.

Foram ouvidos 118 empresários dos segmentos de atacado, restaurantes, postos de gasolina, supermercados, hotel, material de construção e transporte intermunicipal dos municípios de Balneário Camboriú, Biguaçu Blumenau, Canoinhas, Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Itajaí, Joaçaba, Joinville, Lages, Laguna, Rio Negrinho e São Francisco do Sul.

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