Para embasar o discurso de recuperação da economia no Encontro Nacional da Indústria da Construção, em Florianópolis, quarta-feira (16), Michel Temer citou o Produto Interno Bruto. O Prova Real checou os dados, confira: 


"Nós pegamos o Brasil com um PIB de -3,5%. E hoje, logo no primeiro ano, o PIB foi para mais 1,1%. Ou seja, recuperamos num ano 4,6% do PIB. Este ano anuncia-se a possibilidade de 2,5% do PIB." 

Michel Temer,
Presidente da República, em discurso durante a abertura do Encontro Nacional da Indústria da Construção, na última quarta-feira (16), em Florianópolis.

Não é bem assim, prova real, fact-checking
Foto: Artes DC / Artes DC

A fala do presidente Michel Temer está correta em parte. Realmente, quando ele assumiu o governo federal, em 12 de maio de 2016, após o afastamento de Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República, o Brasil havia registrado queda no Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% no ano anterior. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recuo na atividade econômica persistiu em 2016, também com 3,5%. Ao fechar as contas de 2017, o IBGE apontou que o PIB teve recuperação e avançou 1%, totalizando R$ 6,6 trilhões no ano, e não 1,1%, como declarou Temer no evento em Florianópolis na quarta-feira. O percentual de 0,1% é a diferença entre o dado oficial divulgado pelo IBGE e o declarado pelo presidente. Pode parecer pouca coisa, mas quando se trata de PIB faz diferença: representa em torno R$ 6 bilhões a mais na conta do presidente.

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Depois de dois anos consecutivos de queda no PIB (2015 e 2016), as projeções do mercado financeiro indicavam para mais um ano de baixa na economia do país, lembra o economista, mestre em Desenvolvimento Econômico e doutor em Economia pela Universidade Vanderbilt (EUA), João Rogério Sanson.

– Reverteu-se uma tendência. Esperava-se que fosse continuar ruim, que (PIB) fosse cair de novo em 2017, mas subiu 1%. 

De acordo com o IBGE, o resultado positivo no ano passado se deve a altas na Agropecuária (13%) e nos Serviços (0,3%), e estabilidade na Indústria (0,0%).

Além disso, a recuperação apontada por Temer de 4,6% não está correta. Foi engano conceitual, por se tratar na verdade de 4,5 (já considerando que o PIB foi de 1,0%, e não 1,1%) pontos percentuais de diferença – uma vez que se compara a diferença de duas porcentagens em números absolutos.

Em 2017, o PIB per capita variou 0,2% em termos reais, alcançando R$ 31.587. Já a projeção do PIB para 2018, divulgada na semana passada pelo Banco Central, é de crescimento de 2,51%. Porém, essa foi a terceira redução na estimativa do mercado financeiro, 2,70% há uma semana e 2,76% há quatro semanas.

O QUE DIZ  A PRESIDÊNCIA

A assessoria foi procurada desde sexta-feira, mas até o fechamento desta edição não respondeu aos questionamentos.


O Prova Real é a iniciativa de fact-checking e debunking da NSC Comunicação. Você também pode sugerir temas pelo e-mail provareal@somosnsc.com.br ou pelo WhatsApp (48) 99188-2253.

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