Konder Reis, um homem público com a política no DNA Daniel Conzi/Ver Descrição

Ex-governador aponta para o quadro em que aparece ao lado do presidente Ernesto Geisel como chefe do Executivo estadual

Foto: Daniel Conzi / Ver Descrição

O ex-governador Antonio Carlos Konder Reis morreu nesta terça-feira (12), aos 93 anos, de complicações decorrentes de uma pneumonia. Ele estava desde a semana passada no hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, de onde teve alta no domingo – mas voltou a ser internado na segunda e não resistiu. O corpo foi velado na Câmara de Vereadores da cidade e será sepultado nesta quarta no jazigo da família no Cemitério Municipal da Fazenda. O governador Eduardo Pinho Moreira decretou luto oficial no Estado por sete dias.

— Era um homem ímpar, que se distinguia pela atenção que dava a todas as pessoas que o procuravam em sua casa, em Armação do Itapocorói (balneário de Penha), mesmo já não ocupando mais nenhum cargo público — atesta o ex-secretário de Educação de Itajaí, professor Edison d’Ávila.

Ambos se conheceram em 1965, quando d’Ávila tinha 18 anos e integrava a juventude da União Democrática Nacional (UDN), partido de Konder Reis, candidato derrotado ao governo catarinense. Segundo ele, amigo tratava com tanto zelo a coisa pública que, ao deixar a chefia do Executivo estadual – função que desempenharia de 1975 a 1979, nomeado pela ditadura militar – nem carro tinha. Os amigos, então, resolveram fazer uma vaquinha para lhe dar um automóvel de aniversário. A reação do presentado foi surpreendente: 

– Ele agradeceu, mas disse para a gente esquecer, que ele próprio compraria o seu carro. Não queria correr o risco de ficar comprometido com algum grupo, já que entre os cotizantes havia empresários da região. 

Nascido em Itajaí, Konder Reis trazia na certidão um sobrenome que rivalizou com os Ramos no domínio da política catarinense no século 20. Os tios Adolfo e Irineu foram governadores, posto que também seria exercido pelo primo, Jorge. Era sobrinho ainda dos ex-deputados Victor e Marcos. 

A Revolução de 1930 colocou o clã em rota de colisão com o presidente Getúlio Vargas, posição que afetou o pequeno Antonio Carlos: para fugir da perseguição aos opositores do caudilho gaúcho, o pai dele levou a família para morar em Santos (SP) em 1935.

A longeva carreira política de Konder Reis iniciou-se em 1947, quando com apenas 21 anos o terceiranista de Direito elegeu-se deputado estadual pela UDN. Reeleito em 1950, não chegou a cumprir o mandato, trocado pela direção da divisão econômico-florestal do Instituto Nacional do Pinho, no Rio de Janeiro. 

Voltaria a concorrer – e vencer – nas urnas em 1954 e 1958 (deputado federal) e em 1962 e 1970 (senador), esta última pela Aliança Renovadora Nacional (Arena), vinculada ao regime militar. 

Na primeira passagem pelo governo catarinense, notabilizou-se por promover o desenvolvimento com base no apoio à atividade agrícola, à expansão das indústrias e à construção de estradas – o lema de sua gestão era "governar é encurtar distâncias". 

Na  segunda, já filiado ao Partido da Frente Liberal (PFL, atual DEM), era o vice que assumiu o poder de maio ao final daquele ano com a licença do titular, Vilson Kleinubing, para disputar uma vaga ao Senado. 

Retornou ao Legislativo com os 75 mil votos a deputado federal que recebeu em 1998. Na eleição de 2002, ficou com uma suplência na Assembleia Legislativa (Alesc). Retirou-se da vida pública no ano seguinte. 

Foto:

Câmara dos Deputados faz minuto de silêncio em homenagem a Konder Reis

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