Rever tarifa de ônibus é demagogia, diz prefeito de Florianópolis Felipe Carneiro/Diário Catarinense

Governo Federal reduziu o preço do diesel em R$0,46, mas prefeito diz que não será feito o repasse para a passagem pois contrato do transporte público não permite alterar o valor agora.

Foto: Felipe Carneiro / Diário Catarinense

O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (PMDB) descartou a possibilidade de reduzir o preço da tarifa cobrada pelo transporte público na Capital após a decisão do Governo Federal de dar um desconto em R$0,46 no preço do diesel. A revisão do preço do combustível foi uma das medidas tomadas  para encerrar a manifestação de caminhoneiros no fim do mês passado. 

Em entrevista nesta sexta-feira ao jornal "Bom Dia SC" da NSC TV, o chefe do executivo criticou os vereadores Afrânio Boppré (PSOL) e Vanderlei Farias, o Lela (PDT), que protocolaram junto ao Procon municipal e estadual o pedido de revisão tarifária. Ele classificou como sendo "demagogia com a população" a ideia de pedir redução no preço da passagem:

- O contrato de transporte coletivo prevê a reavaliação da tarifa apenas no final do ano, no mês de dezembro.  O óleo diesel tinha um preço em dezembro passado menor do que tem hoje, mesmo com o desconto de R$ 0,46. Nesse período não houve alteração da tarifa mesmo diante deste aumento. (...) Seria ilegal (revisar o valor) - disse Loureiro. 

Em dezembro do ano passado, a prefeitura  anunciou um  reajuste de 7,39% no valor da passagem em Florianópolis. Com isso, o preço da tarifa do ônibus convencional passou de R$ 3,71 para R$ 3,99 (no cartão de transporte) e de R$3,90 para R$ 4,20 para pagamento em dinheiro.

Na oportunidade, a prefeitura  justificou o aumento com base no reajuste salarial dos trabalhadores do transporte, que foi de 7,13%. A administração pública também disse que a alta era reflexo do aumento do óleo diesel, que, segundo a prefeitura, foi 15,74% em 2017.

REFORMAS NO CENTRO HISTÓRICO

O prefeito também falou sobre a manutenção dos prédios públicos no centro de Florianópolis. O abandono de alguns locais vem sendo alvo de críticas, principalmente de comerciantes da região. 

De acordo com um manifesto de representantes da Câmara de Dirigentes Lojistas de Florianópolis (CDL), nas ruas do entorno da Praça XV de Novembro é possível identificar os problemas existentes nas fachadas de estabelecimentos abandonados, pichados e degradados, vias desniveladas e paralelepípedos quebrados, ruas sujas com lixos expostos. 

"Com falta de infraestrutura, bares e restaurantes são prejudicados, já que os problemas recorrentes afastam a maior fonte de renda dos comerciantes locais. Desde 2017, cerca de 50 empreendimentos fecharam as portas devido à falta de cuidado da região. Hoje, em média 100 estabelecimentos lutam para se manterem ativos no Centro Histórico de Florianópolis, mas com o fluxo de pessoas diminuindo gradativamente, os empresários temem o fechamento de mais portas e o abandono total", informou uma nota da entidade.

O prefeito disse que pretende pedir ao BNDES a disponibilização de uma linha de crédito para revitalização da região:

- Estamos identificando todos os prédios históricos, que são de responsabilidade da prefeitura, do governo do Estado e Federal. Alguns estão sendo revitalizados. Outros estão abandonados e a prefeitura vem fazendo um contato para buscar que essa revitalização aconteça de maneira conjunta. Na parte leste do centro tem um projeto estabelecido de aterramento de fiação e de vitalização de toda a área. Na próxima quinta-feira vou levar projeto ao BNDES para buscar um financiamento - afirmou o Loureiro.

O chefe do executivo de Florianópolis também deu um novo prazo para entrega da  restauração da antiga Casa de Câmara e Cadeia, na praça XV de Novembro. O local, que funcionará o futuro Museu de História de Florianópolis, está fechado para reforma desde 2014. Na época, a previsão para entrega do espaço era de dois anos, o que não aconteceu. 

No ano passado, a prefeitura chegou a afirmar entregaria o espaço em novembro, mas também não cumpriu a promessa e quem passa pelo centro hoje em dia encontra o local cercado por tapumes. O prefeito criticou a antiga administração pelo atraso:

- Essa é mais uma das obras abandonadas na administração anterior que nós retomamos. Foi utilizado pela administração anterior todo o recurso federal e quando acabou essa verba a obra paralisou. A prefeitura investiu quase R$ 3 milhões. A obra física estará pronta no máximo em dois meses. Já temos uma parceria estabelecida com o Senac que fará toda a museologia. Até o Natal deste ano queremos entregar o Museu de História de Florianópolis neste local.

Durante a entrevista, Loureiro também disse que está disponível uma verba de R$ 8 milhões de uma parceria com o Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico Nacional). Esse montante será utilizado para obras no Largo da Alfândega e, segundo o prefeito, a ordem de serviço desta revitalização será feita ainda neste mês.  

 

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