Escolhido como coordenador da campanha presidencial de Geraldo Alckmin em São Paulo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) afirmou que terá de "reinventar" a campanha no Estado e "agitar" os prefeitos em torno da candidatura tucana ao Planalto.

Para Covas, o fato de Alckmin não liderar as pesquisas de intenção de voto em São Paulo pode ter relação com desgaste de quem governou o Estado por 14 anos. "Vamos lembrar as pessoas sobre quem é o Geraldo Alckmin", afirmou. Abaixo, leia os principais trechos da entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

O ex-governador Geraldo Alckmin não lidera as pesquisas de intenção de voto em São Paulo, Estado que comandou por quase 14 anos. Como reverter isso?

Vamos ter de reinventar a campanha no Estado de São Paulo e no Brasil. Acho que o que temos de fazer é agitar o partido, os prefeitos e a militância. A primeira ação será reunir, na semana que vem, os prefeitos das maiores cidades administradas pelo PSDB com o Lula Guimarães, o coordenador de comunicação, para afinar o discurso, saber quais pontos devem ser ressaltados em relação ao Alckmin, enfim, botar todos os prefeitos também com um discurso unificado em defesa dele.

É uma espécie de unificação do PSDB em São Paulo?

É natural que num partido com muitos quadros, muitos líderes, você tenha disputas internas por espaço. Não sou eu quem vai unificar o partido, mas não tem nenhum sentido quem é do PSDB fazer campanha para quem não é.

Como fica a situação de Geraldo Alckmin com seu sucessor Márcio França, que vai disputar a reeleição pelo PSB? Isso pode prejudicá-lo?

Certamente o Márcio França, que é uma pessoa também partidária, entende a posição do candidato Geraldo Alckmin, que, além de candidato, é presidente nacional do PSDB. Como ele (Alckmin) não vai apoiar os candidatos do partido? Não teria como não ser dessa forma. França vai compreender.

Por que Alckmin não ganha em São Paulo, segundo as pesquisas de intenção de voto? Reverter a liderança de Jair Bolsonaro é o maior desafio?

Acho que ele (Alckmin) enfrenta consequências dessa rejeição que a população tem dos políticos, da classe política. Ele acaba sofrendo isso por ser uma pessoa que governou São Paulo por 14 anos, foi deputado, prefeito. Agora, na fase da campanha, vamos lembrar as pessoas sobre quem é o Geraldo Alckmin, o que ele já fez, o que vai fazer pelo Brasil. E canalizar essa revolta da população no que há de melhor na classe política e não na negação da política, no voto em branco, nulo, no voto de protesto.

O apoio do eleitorado em São Paulo por Bolsonaro pode ter relação com um desgaste do próprio PSDB?

Olha, na última eleição, em 2016, quando a gente já sofria esse processo de desgaste da classe política, o PSDB ganhou nas principais cidades do Estado. Então, acho que está muito cedo ainda para avaliar resultado de pesquisa eleitoral.

Há alguma chance de João Doria ocupar a vaga de candidato à Presidência pelo PSDB em substituição a Alckmin?

Dentro do PSDB ninguém trabalha com essa hipótese.

A rejeição ao nome de Doria após ele ter deixado a Prefeitura pode prejudicar não apenas sua eleição para o governo como também o desempenho de Alckmin?

Acho que a rejeição não é à pessoa dele ou ao governo dele. É ao fato de ele ter saído para disputar o governo do Estado. Isso não vai prejudicar o desempenho dele no Estado nem o do Alckmin. É que as pessoas preferiam que ele tivesse ficado na Prefeitura, mas, certamente, vão dar mais um voto de confiança pelo o que ele fez e ainda vai fazer no governo e em parceria com a Prefeitura.

Esse trabalho de coordenação será feito então nas suas horas de folga?

Claro, aos fins de semana e em todo o Estado de São Paulo.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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