O plano da primeira-ministra britânica, Theresa May, para o Brexit "provavelmente pode matar" a possibilidade de um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos, disse o presidente Donald Trump em entrevista ao jornal The Sun que será publicada nesta sexta-feira.

"Se aprovarem um acordo como esse, estaríamos tratando com a União Europeia no lugar de com o Reino Unido, e isso provavelmente pode matar o acordo", declarou o presidente americano, antes do início de uma visita de quatro dias ao Reino Unido.

Em comentários incomuns sobre a política britânica, Trump também opinou que o ex-ministro das Relações Exteriores Boris Johnson, que renunciou esta semana devido ao plano para o Brexit, poderia ser "um grande primeiro-ministro".

O presidente dos EUA declarou ainda que o prefeito de Londres, Sadiq Khan, que autorizou um balão sobre a capital britânica mostrando Trump como um bebê chorão, está fazendo um "trabalho horrível" no combate ao crime.

O governo britânico revelou nesta quinta-feira os detalhes de seu plano sobre a futura relação entre o Reino Unido e a União Europeia (UE) após o Brexit, previsto para março de 2019. O projeto prevê o estabelecimento de uma nova "zona de livre comércio para bens" destinada a manter um comércio "sem atritos" com os 27 Estados membros da UE.

Isto permitiria, através de um "acordo aduaneiro simplificado, evitar uma fronteira dura entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda".

"Se fizerem isto, provavelmente não haverá um acordo comercial com os Estados Unidos", advertiu Trump durante entrevista ao The Sun, o jornal britânico mais vendido, assinalando que teria abordado a saída do Reino Unido da União Europeia de forma diferente.

"Teria feito isto de maneira muito diferente. De fato disse à Theresa May como fazê-lo, mas ela não concordou, não me escutou. Tomou outro caminho".

"De fato diria que, provavelmente, foi pelo caminho contrário. Ela deve negociar da melhor forma que saiba, mas as coisas não vão bem".

May defendeu um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos após o Brexit diante de Trump, que iniciou nesta quinta-feira uma visita de quatro dias ao Reino Unido.

* AFP

 Veja também
 
 Comente essa história