Eleições 2018: confira quais cidades ganharam e perderam eleitores em SC Nelson Jr/Asics/TSE

Foto: Nelson Jr/Asics / TSE

O número de eleitores aptos a irem às urnas nas Eleições 2018 aumentou 4,3% em Santa Catarina em relação a 2014. Porém, o saldo positivo não é visto em todas cidades catarinenses. Enquanto em uma ponta a pequena Ermo, no Sul do Estado, por exemplo, perdeu 27% do seu eleitorado e chegou a 1,9 mil pessoas aptas a votar, Bombinhas, no Litoral Norte, cresceu 26%, e alcançou 13,9 mil. 

As diferenças entre as cidades, conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta semana, são impactadas principalmente pelo processo de migração e pelo cadastramento biométrico obrigatório, defendem especialistas.

O mestre em Sociologia Política Sergio Saturnino Januário explica que esse processo de migração regional se intensifica no Estado, principalmente diante de crescimento ou crise econômica:

– A região do litoral catarinense tem muita capacidade atrativa por conta do crescimento econômico. Em processo de crise, muitas famílias acabam se mudando para outras regiões ou voltando às cidades de origem.

De acordo com o especialista, isso explicaria as quedas de eleitores em cidades como Balneário Camboriú e Itajaí, com menos 4,3 mil e 3,2 mil eleitores, respectivamente, em relação ao último pleito de 2014. Balneário é o 53o município do país que registrou mais perda. 

A busca de trabalho nos centros regionais justificaria o descréscimo acentuado em Ermo, a quarta cidade do país com maior queda no número de eleitores. Essa mobilidade da população, principalmente dos mais jovens, impactou ainda no recuo em Lajeado Grande (-17%) e Bom Retiro (-16%). 

Já em Bombinhas e Itapema, que tiveram crescimento significativo, de 26% e 24%, respectivamente, o que acontece, aponta Saturnino, é o processo de segunda residência. Nestas cidades do Litoral Norte é comum que moradores tenham casas de veraneio e acabem transferindo o título. Além disso, Itapema também tem forte processo de urbanização e é local de residência para trabalho na região.

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Biometria também impacta em número

Entre os catarinenses, 63,4% dos eleitores votarão com o sistema biométrico neste ano. São 3,2 milhões de pessoas espalhadas pelos 295 municípios. Dessas cidades, 62 terão o uso total da biometria, por isso o cadastramento biométrico foi obrigatório. 

Assim, os eleitores que viviam nessas regiões e não o fizeram tiveram o título eleitoral cancelado. Isso acaba impactando na perda de votantes aptos. Todos os cinco municípios que registraram as maiores quedas de eleitores em Santa Catarina, tanto proporcional quanto total, estão na lista das cidades que terão o uso total de biometria para identificação dos eleitores. 

O cientista político Valmir dos Passos diz que a exigência de comparecer ao cartório eleitoral para fazer o cadastramento desestimulou ainda mais as pessoas:

– Um eleitor que já passou da idade de voto obrigatório, por exemplo, enquanto ele não precisava fazer nada para se manter eleitor, continuava votando. Mas agora, que precisava pegar alguma fila, está desestimulado para fazer isso. Além disso, o eleitor no Brasil vem demonstrando cada vez menos interesse e reconhece menos a importância do voto. 

Porém, em algumas cidades onde esse cadastramento foi obrigatório, como é o caso de Palhoça, houve aumento no número de eleitores. O município da Grande Florianópolis registrou o maior salto de votantes no período: 23,8 mil eleitores a mais. 

– A biometria acabou colocando as coisas no lugar, digamos assim. Porque exigiu que fizesse uma agenda na cidade para fazer a biometria. Então, se você não mora ali, viajar só para isso é pouco atrativo. Ela acaba fixando as pessoas no seu próprio local de votação – acredita Saturnino.

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