Presidenciáveis focam economia e corrupção no segundo debate na TV Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

Oito presidenciáveis participaram do debate na RedeTV na noite desta sexta-feira (17)

Foto: Daniel Teixeira / Estadão Conteúdo

Na noite desta sexta-feira (17), oito candidatos à Presidência da República participaram do debate na RedeTV.  O encontro, mediado pelos jornalistas Boris Casoy, Mariana Godoy e Amanda Klein, foi transmitido a partir das 22h dos estúdios do canal, em Osasco, São Paulo.   

Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Jair Bolsonaro (PSL), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede) discutiram sobre propostas sobre os mais variados temas. Assim como no primeiro encontro, na TV Bandeirantes, a economia dominou as discussões.

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lançado candidato à Presidência da República pelo PT e atualmente preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, entrou com pedidos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para participar do debate. Os pedidos, entretanto, foram negados pelos ministros da corte eleitoral. 

Lula não foi substituído pelo candidato a vice-presidente registrado pelo PT, Fernando Haddad. De acordo com a RedeTV, um púlpito de Lula foi colocado no auditório e retirado a pedido da maioria das candidaturas — o candidato do PSOL, Guilherme Boulos, não concordou.

Eleitores perguntam sobre economia, desemprego e segurança pública

No primeiro bloco, os candidatos tiveram 45 segundos para responderem às perguntas: "Por que o senhor (a) quer ser presidente do Brasil e o que é preciso fazer para aprimorar o combate à corrupção? 

Dos que responderam a aos dois questionamentos específicos, Alckmin disse ser postulante ao cargo para apresentar "reformas necessárias para retomar a atividade econômica". Em relação ao combate à corrupção, prometeu tolerância zero à prática e sugeriu tipificar no código penal o enriquecimento ilícito. Marina Silva diz ser motivada pela possibilidade de contribuir "para que o país seja mais justo". Bolsonaro se apresentou como o candidato honesto e patriota que vai afastar o "fantasma do comunismo". Boulos se disse indignado com os privilégios e afirmou que quer ser presidente para "acabar com a esculhambação que virou o sistema político". Daciolo assegurou que se candidatou para "tirar os bandidos de dentro do Congresso Nacional".

Em seguida, os presidenciáveis tiveram um minuto para responderem às perguntas da população, relacionadas ao fortalecimento da construção civil, geração de empregos e investimento em segurança pública, antes de partirem para o confronto direto.

Sobre a construção civil, Meirelles disse ser necessário fortalecer o setor com uma política econômica correta.

— Com mais pessoas tendo emprego, com as empresas crescendo, haverá demanda de novas instalações. Para a economia funcionar, é preciso alguém com competência e ficha limpa, como é o meu caso — disse o candidato do MDB. 

Questionado sobre qual seria sua política para a dívida pública, Jair Bolsonaro (PSL) comentou apenas que são números "absurdos" e que "a solução será difícil". Ele admitiu, no entanto, que a solução desse problema é "prerrogativa do Presidente", contrariando o discurso de delegar a questão ao seu futuro Ministro da Fazenda, Paulo Guedes.

Em seu comentário, Ciro afirmou que o maior problema da dívida brasileira é que "metade da receita" vai para rolagem e pagamento de juros, o que comprime os gastos com todo o resto. 

— É preciso cortar em juros — afirmou.

Embate acirrado entre Marina e Bolsonaro

A discussão mais dura do debate. foi protagonizada por Marina Silva e  Jair Bolsonaro. O militar aposentado, ao negar ter dito que mulheres deveriam ganhar menos do que homens, disse que a igualdade está prevista na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e que, portanto, não havia motivo para se preocupar com isso, pois é necessário "Cumprir a constituição".

A candidata da Rede Sustentabilidade, assim que teve oportunidade, rebateu a informação alegando que é responsabilidade do presidente da República garantir que as leis sejam cumpridas. 

— Mulheres são as últimas a serem promovidas e as primeiras a serem demitidas, portanto tem que se preocupar sim — disse a candidata.

Bolsonaro afirmou que achava estranho uma evangélica, como Marina Silva , colocar a possibilidade de um plebiscito para o aborto, o que fez a candidata voltar à carga. 

— Você fica ensinando para nossos jovens que tem que resolver os problemas na base do grito. Você pegou uma criança e fez o sinal de uma arma com os dedinhos dela — afirmou.

Outros temas

Cabo Daciolo , sobre combate à violência, garantiu que, se eleito, irá dar atenção às fronteiras e implantar um piso para a segurança pública, aproximando policiais civis e militares. 

Alvaro Dias , para solucionar o desemprego, sugeriu a utilização de crédito em favor das pequenas e médias empresas e uma reforma tributária em prol do desenvolvimento.

— Não podemos deixar de citar o combate à corrupção e apostar na Lava-Jato —, declarou o senador

Guilherme Boulos trouxe para o debate a extração do pré-sal, citada por ele como "riqueza nacional".

— Lamentavelmente, o governo Temer está entregando o pré-sal para as empresas estrangeiras. Vamos mudar isso. Iremos fortalecer a Petrobras — afirmou o candidato do PSOL.

Geraldo Alckmin  defendeu o fim do fundo partidário, dizendo ser impossível o país continuar "tendo 35 partidos políticos":

— Não temos 35 ideologias. O que temos são 35 pequenas e médias empresas.

Ciro Gomes acrescentou dizendo ser necessário cortar as "mordomias dos políticos".

— Não temos como cobrar sacrifícios dos brasileiros se não dermos o exemplo.

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