Volume de chuva em Santa Catarina não chega a 23% em agosto Diorgenes Pandini/Diario Catarinense

Segundo a Epagri/Ciram, estiagem ocorre porque não há fenômenos como o El Niño ou La Niña atuando no Estado

Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense

A situação da estiagem está se agravando no Estado. Após o mês de julho ter chuva abaixo do previsto na maior parte de Santa Catarina, os números deste mês seguem preocupantes. Passados 17 dias de agosto, nenhuma região teve 23% do volume pluviométrico previsto para o mês (veja gráfico abaixo).

O Litoral Norte é o local com a maior média de chuva até agora: 20,1 mm dos 89,1 mm previstos para o mês, cerca de 22,5%. Ao lado, curiosamente, está a região com a situação mais crítica, o Planalto Norte que teve apenas 9,8 mm, cerca de 9% dos 108,3 mm esperados para agosto.

O Litoral Sul foi onde houve mais chuva do que o previsto no mês passado, mas agora também enfrenta a falta de chuvas bem distribuídas. Se em julho choveu 64% acima do volume esperado, em agosto o índice pluviométrico foi de apenas 10% para o mês.

Confira as informações do tempo na coluna do Puchalski

Com essa situação, 13 estações hidrológicas de Santa Catarina estão em estado de emergência - quando há risco de desabastecimento. A maior parte dos rios compõe a bacia hidrográfica do Rio Itajaí-Açú, incluindo as cidades de Alfredo Wagner, Chapadão do Lageado, José Boiteux, Salete, Taió e Timbó. Outros municípios com rio em estado de emergência são Guaraciaba, Forquilhinha, São João Batista, São Martinho, Rio das Antas, Concórdia e Rio Negrinho.

Mais oito estações estão em alerta, ou seja, o nível pluviométrico está próximo de crítico. Otacílio Costa, Canoinhas, Rio do Sul, Passos Maia, Rio Negrinho, Joaçaba e Concórdia são os municípios que tem rios  quese encontram nessa classificação.

O pesquisador Guilherme Miranda, que trabalha na área de hidrologia da Epagri/Ciram, afirma que a estiagem ocorre pela neutralidade do sistema meteorológico, já que não há fenômenos como o El Niño ou La Niña atuando no Estado. Ele também destaca que há estiagem desde abril em Santa Catarina, mas que o quadro piorou este mês.

— A situação está bastante grave no Extremo Oeste, Oeste, Meio-Oeste, Planalto Norte e Vale do Itajaí. A chuva que não aconteceu em julho está repercutindo em agosto, já que há um delay para a água esvaziar todo o manancial. Como não choveu de forma regular em julho, estamos aumentando esse déficit agora em agosto — explica o especialista.

Na agricultura, alguns produtores de alho, cebola e fumo do Alto Vale, necessitaram ligar as bombas para auxiliar na irrigação, o que pode gerar mais custos nas produções. Porém, ainda não dá para afirmar que o gasto a mais será repassado aos consumidores. Além disso, estão ocorrendo chuvas pontuais, onde parte de alguns municípios são atingidos e outra parte não. Ou seja, nem todos precisaram recorrer às bombas.

— O campo possui grande capacidade de recuperação, mas para que isso ocorra é preciso que chova — diz João Rogério Alves, analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural/Cepa.

O quadro não é generalizado. A plantação de trigo, por exemplo, encontra-se em fase inicial, e por isso não necessita de tanta irrigação no momento.

Abastecimento de água em alerta

 A Casan informou que o abastecimento de água na região da Grande Florianópolis ocorre normalmente. Entretanto, o estado é de alerta por conta do nível baixo em Pilões, no Rio Vargem do Braço, o que dificulta a captação e distribuição de água na Grande Florianópolis.

A companhia está divulgando comunicados para pedir à população que evite algumas ações, como lavar pátios, calçadas e carros para economizar água. Ações menores, como fechar a torneira ao escovar os dentes e tomar banhos mais curtos, também estão entre os pedidos.

Segundo o presidente do Samae Tijucas, Gilson José de Oliveira, a situação de abastecimento da região ainda não foi afetada de forma grave. A companhia, que utiliza água de cachoeiras e não dos rios, adotou como medida de segurança a redução de cerca de 30% do abastecimento. Oliveira afirma ainda que o momento é preocupante. A entidade acompanha de perto o quadro e pede que a população colabore com o racionamento.

Evento nacional discute o futuro da água e gestão hídrica em Santa Catarina

Previsão para a próxima semana é positiva

Apesar do cenário crítico, há previsão de chuva bem distribuída para a próxima semana. De acordo com Gilsânia de Souza Cruz, que atua na equipe de meteorologia da Epagri/Ciram, todas as regiões do Estado devem ter volumes consideráveis de chuva entre segunda-feira e quinta-feira.

O maior volume está previsto para o Litoral Sul, onde deve chover entre 100 mm e 110 mm nesses quatro dias. A região Oeste, que está entre as regiões com situação mais grave, deve ter 60 mm nesse período. As demais áreas devem ter 30 mm de chuva, o que deve amenizar a estiagem enfrentada por muitas cidades.

No entanto, depois desse intervalo de tempo deve chover novamente apenas no fim deste mês. Conforme a Epagri/Ciram, não há previsão de volume significativa nos últimos dias de agosto, apenas de chuva passageira. 

Leia Mais

Conta da luz: bandeira tarifária vermelha deve continuar em agosto

Dia D da campanha contra sarampo e pólio em SC: 100 mil crianças devem ser vacinadas 

Evento nacional discute o futuro da água e gestão hídrica em Santa Catarina

 Veja também
 
 Comente essa história