Para comandante da PM, assaltos violentos "não representam tendência" em SC Betina Humeres/Diário Catarinense

Comandante da Polícia Militar, coronel Araújo Gomes, falou sobre os dois casos em entrevista ao CBN Diário

Foto: Betina Humeres / Diário Catarinense

Em um intervalo de aproximadamente duas horas, dois casos violentos foram registrados na Grande Florianópolis na noite de terça-feira (11).  Pessoas foram feitas reféns em um assalto a uma joalheria localizada dentro do Floripa Shopping, no centro-norte da Ilha. Em São José, na região continental, uma pessoa foi baleada após sofrer uma tentativa de assalto ao veículo, que resultou em um suspeito morto pela Polícia Militar (PM).

A reportagem do CBN Diário entrevistou o Comandante da PM, coronel Araújo Gomes, na manhã desta quarta-feira (12), para comentar os casos. De acordo com o comandante, as duas situações não representam uma tendência no cenário estadual. Ele ainda afirmou que casos como esses recebem atenção especial das forças policiais. Confira a entrevista na íntegra.

Sobre o caso do assalto dentro do shopping, podes detalhar como aconteceu a ação?

Esse caso do shopping é um caso que a gente considera bem grave, havia acontecido um caso semelhante no ano passado. A exemplo do ano passado, em que nós prendemos os envolvidos - inclusive, alguns foram mortos em confronto com a polícia e as armas apreendidas -, estamos identificando junto com a Polícia Civil os suspeitos. As buscas continuam e se desdobram na investigação da própria Polícia Civil, como polícia judiciária, mas nós imaginamos que em um curto espaço de tempo, como tem acontecido em outras situações, eles devam ser presos.

Eles deixaram o carro próximo do local?
Sim, eles adentraram o shopping armados. Um deles ficou do lado de fora fazendo a segurança e outros três adentraram o shopping e fizeram o assalto, inclusive, rendendo pessoas. Na fuga, os policiais chegaram logo depois, mas evitaram o confronto, tendo em vista o grande número de pessoas que havia no shopping. O carro foi abandonado ali nas imediações, o que abre duas possibilidades: a de que eles tinham um carro já aguardando para fuga ou de que eles são ali da própria região. Vale destacar que o Floripa Shopping fica em uma região em que há algumas comunidades mais empobrecidas e violentas nas imediações e que da outra vez eram pessoas de uma dessas comunidades que estavam envolvidas no assalto. 

Bandidos assaltam joalheria de shopping em Florianópolis

Eles tinham um armamento pesado?
É, eles estavam armados, entraram no shopping e renderam as pessoas. Na fuga, fizeram alguns disparos para o alto, talvez até percebendo a proximidade da polícia, que chegou muito rapidamente, e depois empreenderam fuga.

A polícia teve acesso também a alguns vídeos, que foram produzidos e depois circularam nas redes sociais. Esse vídeos ajudarão nas investigações e, também, as imagens do circuito interno?
Vale a pena lembrar que a investigação é da Polícia Civil. Ela já está envolvida, as delegacias especializadas devem usar todos os meios de provas que foram produzidas ali no local, com testemunhas, vídeos e outras evidências de perícia que tenham sido deixadas no local. De modo geral, o trabalho conjunto, a integração entre as polícias tem garantido o sucesso na identificação e prisão dos criminosos de crime como este, que estão na base da redução sensível dos roubos em Florianópolis, que tivemos nos últimos tempos, demonstrando que fatos como os que aconteceram no shopping e em São José, cada vez mais são fatos que não representam uma tendência e que, por isso, têm uma atenção muito especial das forças policiais, tanto da Polícia Militar como da Polícia Civil. O mais é provável é que os criminosos, os autores, sejam presos e responsabilizados no mais curto espaço de tempo. 

Suspeito de tentativa de roubos a carros morre e vítima e baleada em São José

Em casos como o do shopping, que têm segurança particular, como é feita a segurança em parceria com a PM nesses tipos de assaltos?
O interior do shopping é guarnecido por segurança privada. Entretanto, nós temos, com todos os shoppings da cidade, protocolo de integração para garantir que em casos de acidentes graves, que sejam assaltos, incêndios, em que os bombeiros também participam, nós trabalhamos de maneira coordenada e articulada. Em Florianópolis, em especial, nós temos redes permanentes de comunicação entre o 4º Batalhão, que é a unidade local, e as seguranças privadas que o tempo todo conversam sobre como melhorar tanto a prevenção quanto a resposta imediata ao incidente, como aconteceu no Floripa Shopping, onde os policiais militares chegaram em poucos minutos, pegando ainda os marginais fugindo.

Horas depois a gente teve o caso de assaltos que aconteceram no município de São José, no bairro Bela Vista. Foram dois episódios lá. Houve morte de algum suspeito? Surgiu uma informação de que uma vítima teria sido baleada. Qual é o estado de saúde dela?
Na verdade, o que aconteceu em São José foi antes desse e se desdobrou em dois episódios. Houve uma tentativa de assalto, em que a vítima acabou sendo baleada no peito pelo marginal. A vítima se encontra em estado grave hospitalizada, segundo as últimas informações. Uma patrulha nossa, que chegou logo depois, houve a descrição e o reconhecimento do possível autor e, em poucos minutos na sua ronda, localizou esse autor, que em uma troca de tiros, acabou fazendo com que ele fosse a óbito, atingido pelos disparos da própria guarnição. O que é interessante observar, falando nos dois casos, é que eles vão contra uma tendência de queda de criminalidade, não só na Grande Florianópolis, como no Estado inteiro. Quando a gente fala de latrocínio, no Estado de Santa Catarina, já vem há alguns anos com uma curva descendente de latrocínios em Florianópolis e no Estado inteiro, que é matar para roubar, e a curva de roubos este ano também é extremamente favorável no sentido de redução. Para se ter uma ideia, na região da Grande Florianópolis nós estamos com 700 roubos a menos que o ano passado e esse número atinge a fita de mais de 4 mil roubos a menos que o ano passado quando a gente fala em nível estadual. Isso conversa com outros números de queda que mostram que os resultados, no geral, apesar da gravidade desses dois casos, são bem positivos. Nós estamos passando dos 7 mil furtos a menos e, ontem, atingimos a marca de 140 mortes violentas a menos que o ano passado e 40 a menos que o ano retrasado. Isso não tira a importância dos dois episódios, mas demonstra que a estratégia, como um todo, vem sendo bem sucedida e que esses casos precisam ser tratados com muita atenção para não se repetir.

Vítima de assalto é baleada e suspeito é morto em São José, na Grande Florianópolis

 Veja também
 
 Comente essa história