Tragédia no Rio de Janeiro alerta para situação dos museus catarinenses Secom/divulgação

Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul, no Litoral Norte catarinense

Foto: Secom / divulgação

O incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, na noite do último domingo, ativou o alerta sobre como vai a manutenção dos acervos culturais e históricos em todo o país. No Estado, a Fundação Catarinense de Cultura, responsável por cinco dos principais museus de Santa Catarina, garante que as edificações são seguras. Já o Corpo de Bombeiros alerta para possíveis riscos, principalmente nos prédios com estrutura mais antiga.

O diretor de patrimônio da Fundação, Halley Filipouski, afirma que o Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), o Museu da Imagem e do Som (MIS), situados no Centro Integrado de Cultura (CIC), e o Museu Histórico de Santa Catarina (MHSC), no Palácio Cruz e Sousa, todos na Capital, estão adequados às questões de segurança exigidas pelos Bombeiros. 

A situação mais preocupante é a do Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul, para o qual há um plano de reforma em andamento, sob a responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O diretor da FCC explica que, por causa disso, o plano para colocação de extintores e sinalização de emergência está sendo obtido junto aos Bombeiros. 

Desde 2016, a FCC gastou R$ 2,36 milhões com manutenção, reformas/restauros e jardinagem nos cinco museus. 

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Fora das prioridades na ordem de vistorias

O Corpo de Bombeiros admite que museus não estão entre as prioridades na ordem de vistorias. Os atendimentos dão preferência à locais onde há maior concentração de pessoas e, consequentemente, maior risco para a vida.  

O tenente-coronel Jailson Godinho, da diretoria de atividades técnicas do Corpo de Bombeiros Militar, aponta que edificações históricas ou que não foram construídas para abrigar um museu podem apresentar mais perigos.

– Há risco com a energia elétrica, já que algumas edificações não tinham sequer estrutura para ter esse sistema de luz. Há necessidade crescente de demanda de energia, com a instalação de equipamentos de climatização, iluminação e sonorização. E, às vezes, é feita essa obra sem um projeto adequado para evitar sobrecarregar o sistema elétrico, o que pode causar acidentes – destaca.

Com extintores, saídas de emergência e sinalização, os estabelecimentos podem funcionar. É o chamado sistema vital. Mas ainda assim, outros alvarás são necessários para a liberação total dos Bombeiros. O Palácio Cruz e Sousa, segundo o tenente-coronel, está em processo de regulamentação de documentação.

Confira como está a situação dos principais museus de Santa Catarina:

CIC

Um giro pelas principais exposições que estão rolando no Centro de Florianópolis e no CIC. Na foto, Abrangências e Singularidades, no Masc
Foto: Yasmine Holanda Fiorini / Agencia RBS

O prédio que abriga o Museu de Arte de Santa Catarina (Masc) e o Museu da Imagem e do Som (MIS), em Florianópolis, tem o projeto aprovado pelo Corpo de Bombeiros e devidamente implementado, segundo o diretor de patrimônio da Fundação Cultural de Cultura (FCC), Halley Filipouski.


Palácio Cruz e Sousa - Museu Histórico de Santa Catarina

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 03/02/2017 - Centro Histórico de Florianópolis - Prédios tombados, como está a manutenção delesFoto: Palácio Cruz e Souza
Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

Em entrevista à CBN/Diário, o diretor de patrimônio da FCC afirmou que o palácio Cruz e Sousa está adequado às questões de segurança. 

– Recentemente fizemos grande reforma, principalmente no que tange a segurança e sistema elétrico. O museu está perfeitamente adequado, com seus equipamentos sem problema algum – disse. 

O tenente-coronel Jailson Godinho, da diretoria de atividades técnicas do Corpo de Bombeiros Militar, entretanto, diz que o Palácio é um exemplo de local que não tem o aval da corporação. 

– O projeto de edificação foi aprovado em 2016, mas o atestado de funcionamento não está em dia, – explica o tenente. Segundo ele, o prazo para a regulamentação está sendo ajustado com o administrador do local. 



Museu Nacional do Mar

 Museu do MarSecretário da Casa Civil, Nelson Serpa, recebeu a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, e equipe do instituto em Santa Catarina para tratar do Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul. O Iphan apresentou a proposta de municipalizar a administração do museu, hoje comandada pelo Governo do Estado, mantendo o instituto nacional como interveniente. O Museu Nacional do Mar foi criado em 1993 para valorizar a arte e o conhecimento dos homens que vivem no mar, com exposição de diferentes embarcações originais de todo o país.
Foto: Secom / divulgação

É o caso mais delicado. A FCC admite que o museu apresenta diversos problemas de infraestrutura.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está desenvolvendo um plano de reforma, que abrange inclusive um sistema preventivo de incêndios. 

Atualmente, afirma o diretor de patrimônio da FCC, a situação do museu de São Francisco do Sul é a de obtenção de um plano junto aos Bombeiros para instalação de extintores e da sinalização de emergência. Ainda assim, o diretor defende que não há riscos na edificação, pois existem extintores disponíveis para uso imediato.

Museu Etnográfico de Biguaçu e Casa de Campo do governador Hercílio Luz

Os prédios não possuem sistemas preventivos totais. Segundo a FCC, o plano atual, com extintores, é o suficiente para o tamanho dos prédios.

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