Vice de Bolsonaro, Mourão diz que "Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo" Isadora Neumann/Agencia RBS

Mourão é candidato a vice de Bolsonaro (PSL)

Foto: Isadora Neumann / Agencia RBS

O candidato à vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), General Mourão (PRTB), defendeu, nesta quinta-feira (13) que o Brasil precisa de uma nova Constituição elaborada por "notáveis" e aprovada em plebiscito pela população, sem a eleição de uma Assembleia Constituinte.

O candidato disse que a elaboração da última Constituição brasileira, de 1988, por parlamentares eleitos, "foi um erro", e defendeu que a nova Carta deveria ser criada por "grandes juristas e constitucionalistas". As declarações foram feitas em palestra no Instituto de Engenharia do Paraná, em Curitiba.

— Uma Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo. Já tivemos vários tipos de Constituição que vigoraram sem ter passado pelo Congresso eleitos — defendendo que esse tipo de documento, sem a participação de eleitos, já esteve em vigor em períodos democráticos do País, não apenas durante a ditadura.

Mourão acrescentou que defende pessoalmente essa opinião, que não representaria as ideias de Bolsonaro. 

— Teria que partir para a reforma de todas as reformas. Teríamos que ter uma nova Constituição, mas, no momento, julgo que isso é uma coisa muito difícil de a gente conseguir. Então, a regra é clara: partir do mais fácil para o mais difícil.

Para o candidato, essa "nova" Constituição deveria ser mais "enxuta" que a atual, parecida com a norte-americana, contendo apenas princípios e valores gerais para reger o País.

— O restante, como o horário de trabalho do bancário, o juro tabelado, essas coisas, isso (deve estar) em lei ordinária, porque muda de acordo com os valores e o tempo — afirmou Mourão.

Em relação à campanha presidencial, o general da reserva descartou a possibilidade de mudança do nome na cabeça de chapa depois do atentado sofrido por Bolsonaro, que continua internado. Segundo o general, o deputado federal deve estar pronto "para liderar o processo" em três semanas, mas ainda não totalmente recuperado para participar de manifestações de rua. 

— É ele quem as pessoas vão eleger. Ninguém vai me eleger, eu sou o apêndice — declarou.

O general admitiu que houve prejuízo na campanha com a impossibilidade de Bolsonaro participar dos atos, mas afirmou que não mudou sua agenda depois do atentado. Mourão também afirmou que está com a segurança de campanha melhor reforçada depois do atentado e usando colete a prova de balas. 

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