Votação sobre a liberação da caça comercial de baleias é adiada em Florianópolis Felipe carneiro/Diário Catarinense

Posicionamentos contrários à liberação são liderados pelo Brasil e por outros países da América do Sul

Foto: Felipe carneiro / Diário Catarinense

Em comum acordo entre todos os países presentes, a Comissão Internacional da Baleia (CIB) adiou para sexta-feira de manhã a votação sobre a proposta japonesa de liberar a caça comercial dos animais. A expectativa é de que a proposição não passe, já que na quinta a CIB aprovou a Declaração de Florianópolis, texto que reafirma e reforça a moratória e cuja vitória indica que os asiáticos não têm aliados em número suficiente para derrubar a proibição.

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Um dos principais pontos da ideia japonesa é a criação de um comitê sustentável para definir cotas anuais de caça comercial por país. Esse órgão seria subordinado e obedeceria critérios do comitê científico da comissão, que já existe. O documento também cita a intenção de mudar o quórum para maioria simples para a aprovação de mudanças no regulamento e estatuto da CIB. Hoje, esse tipo de modificação precisa dos votos de 75% dos votantes. Na apresentação, o representante japonês argumentou ainda que quando a moratória entrou em vigor, em 1986, ficou definido que haveria uma revisão futuramente. O principal argumento do Japão é que a população da maioria das espécies de baleias já teria se recuperado com os 32 anos de proibição, o que é contestado pelos opositores à liberação.

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Na sequência, os representantes de vários países falaram, se posicionando contra ou a favor da proposta. Os contrários são liderados pelo Brasil e pelos outros países da América do Sul, além da Nova Zelândia, enquanto Noruega, Islândia e alguns pequenos países africanos encabeçam o apoio ao texto. Houve espaço ainda para representantes de ONGs também falarem, na condição de observadores do encontro da CIB.

Japão pediu o adiamento

Por fim, o representante japonês se pronunciou novamente. Ele respondeu alguns dos questionamentos e críticas dos representantes dos países que falaram antes dele e pediu que a votação ficasse para sexta. O objetivo é ganhar tempo para costurar apoios e promover diálogos com o próprio governo japonês para eventuais adequações na proposta visando garantir o maior número de votos favoráveis. Como no Japão já era madrugada em razão do fuso horário, essa conversa seria inviável nas horas seguintes. O adiamento foi aceito e a votação deve abrir a pauta da reunião nesta sexta, último dia do encontro em Florianópolis. Ainda não há definição se a votação será única ou se os vários pontos da proposta serão fatiados. Nenhum representante da delegação japonesa quis dar entrevista.

— Não tem a menor chance disso (liberação da caça) ser aprovado, porque a Declaração de Florianópolis, que foi aprovada, diz exatamente que a caça comercial é irrelevante e que a moratória vai ficar — diz o diretor do Instituto Baleia Jubarte, José Truda Palazzo, que é uma das principais referências brasileiras na proteção às baleias.

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