A companhia elétrica Neoenergia, controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, aguarda os desfechos das eleições para retomar seu plano de abrir seu capital na Bolsa, segundo duas fontes a par do assunto. A empresa, que está com bancos contratados para tocar a operação, pretende negociar pelo menos 25% de suas ações no mercado.

Fontes a par do assunto afirmaram ao jornal O Estado de S. Paulo que os planos são de que o Banco do Brasil saia totalmente do negócio com a Oferta Pública de Ações (IPO, em inglês). O banco público tem 9,34% de participação na Neoenergia, seguido pela Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil), com 38,21%. A Iberdrola é o maior acionista e controlador, com os 52,45% restantes.

A Previ também reduziria sua participação na empresa, mas se manteria como acionista. Já o controlador Iberdrola não tem interesse de se desfazer de sua participação.

No ano passado, quando a Neoenergia anunciou a fusão com a Elektro, conforme antecipou o jornal O Estado de S. Paulo, a abertura de capital era o próximo passo da estratégia da elétrica. A companhia chegou a fazer road show para se apresentar aos investidores. No entanto, o ambiente de negócios voltou a ficar mais complexo após as delações dos irmãos Batistas, em maio do ano passado, e o preço oferecido pelos investidores não animou os acionistas, que adiaram a ida da companhia à Bolsa.

De acordo com pessoas a par do assunto, a empresa já está preparada para o processo de oferta inicial de ações. Uma das exigências que precisam ser cumpridas é a definição da participação de membros independentes no conselho da empresa - um requisito para entrar no novo mercado ou no nível 2 de Governança Corporativa. Outro ponto é a definição do novo diretor financeiro (CFO) da empresa. Em julho deste ano, Sandro Marcondes deixou a companhia e foi contratado pelo Santander. Desde então, o cargo - cujo executivo é indicado pelo Banco do Brasil - está vago.

No mercado, a expectativa é de que a transação ocorra até dezembro, após as eleições de segundo turno. Pessoas ligadas à empresa acreditam, contudo, que se o ambiente não estiver favorável - a depender dos resultados das urnas -, o processo poderá ficar para o ano que vem. Procurados, BB e Previ não comentam. A Neoenergia afirmou que não comenta sobre o processo e que essa é uma decisão dos acionistas.

Ativos diversificados

Considerado um negócio atraente no mercado, a Neoenergia controla as distribuidoras Elektro (SP), Celpe (PE), Cosern (RN) e Coelba (BA), usinas de energia, como Teles Pires, e ainda atua na transmissão de energia. A companhia investiu R$ 4 bilhões em 2017, valor 39,19% maior que em 2016, quando fez aporte de R$ 2,86 bilhões. As receitas somaram R$ 20,5 bilhões, crescimento de 38,2% sobre o ano anterior.

No ano passado, a companhia travou uma disputa ferrenha com a italiana Enel pelo controle da Eletropaulo - ativo que daria a empresa a liderança na distribuição de energia no Brasil. Mas ela acabou derrotada pela concorrente, que ofereceu R$ 45,22 por ação ante R$ 39,53, da Neoenergia. Segundo fontes, a empresa chegou a olhar também a Light, mas as negociações não avançaram.

O setor elétrico tem sido alvo de uma série de aquisições nos últimos anos, seja na área de geração, distribuição ou transmissão de energia. Uma das maiores transações foi feita pela chinesa State Grid, que comprou a CPFL, em 2016. A expectativa é que, com o fim do período eleitoral, outros negócios que estão em negociação, como a usina Santo Antônio, serão fechados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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