"Atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia", diz Toffoli sobre provocação de filho de Bolsonaro ao STF Diogo Sallaberry / Agência RBS / Sérgio Lima / AFP/Agência RBS / Sérgio Lima / AFP

Dias Toffoli (dir.) emitiu nota oficial sem citar diretamente o deputado federal Eduardo Bolsonaro (esq.)

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, divulgou uma nota no início da tarde desta segunda-feira (22) sobre a polêmica iniciada após fala do deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), de que, para fechar a Corte, bastaria "um soldado e um cabo". Em sua manifestação, sem citar diretamente o posicionamento do parlamentar, o magistrado defendeu a independência e autonomia do Poder Judiciário.

"O Supremo Tribunal Federal é uma instituição centenária e essencial do Estado Democrático de Direito (...) Atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia" diz trecho do documento divulgado pela assessoria do próprio ministro.

Os comentários de Eduardo Bolsonaro — filho do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) — foram feitos em julho, durante um evento com interessados em participar de concurso público para a Polícia Federal, em Cascavel (PR). Ao responder a uma pergunta sobre uma hipotética ação do Exército no caso de o STF tente impedir seu pai de assumir a Presidência, o deputado disse que bastariam "um soldado e um cabo" para fechar o Supremo.

— Será que eles vão ter essa força mesmo (de impugnar)? O pessoal até brinca lá: se quiser fechar o STF sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe, manda um soldado e um cabo. Não é querendo desmerecer o soldado e o cabo. O que é o STF, cara? Tira o poder da caneta de um ministro do STF, o que ele é na rua? — questiona.

Através das redes sociais, Eduardo minimizou o caso. No domingo (21), escreveu em sua conta no Twitter que citou "uma brincadeira que havia ouvido na rua". Ele continua destacando: "Se fui infeliz ou atingi alguém, tranquilamente peço desculpas e digo que não era minha intenção".

Jair Bolsonaro também se posicionou sobre o fato. Em entrevista ao SBT, nesta segunda-feira (22), o candidato à Presidência disse ter repreendido o filho, de 34 anos.

— Eu já adverti o garoto (...) É meu filho, a responsabilidade é dele. Ele já se desculpou. Isso aconteceu há quatro meses. Ele aceitou responder a uma pergunta sem pé nem cabeça, e resolveu levar para o lado desse absurdo aí. Temos todo o respeito e consideração com os demais poderes, e o Judiciário obviamente é importante — disse à emissora paulista.

Além de Toffoli, a fala também foi condenada por outros ministros do STF, por representantes de instituições ligadas ao Judiciário, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e pelo candidato à Presidência Fernando Haddad (PT).

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