Bolsonaro diz que pode faltar a todos os debates na TV e ironiza Haddad Mauro Pimentel/AFP

Bolsonaro posa com chapéu de cangaceiro em evento de campanha

Foto: Mauro Pimentel / AFP

O candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), foi entrevistado no final da tarde desta quinta-feira (11) pela rádio CBN. Em conversa de 30 minutos, o deputado federal disse aos jornalistas que pode faltar a todos os debates marcados durante o segundo turno por questões "estratégicas".

— Os eleitores me conhecem, não comecei essa votação agora. Estrategicamente, posso decidir não ir (aos debates). Não tem problema nenhum — afirmou Bolsonaro, que ironizou em seguida:

— Vou debater com o Haddad ou com o ventríloquo do Lula? Qual é a autenticidade do Haddad? Gostaria de perguntar se ele vai permitir que o crime organizado seja coordenado de dentro do presídio?

Bolsonaro anunciou sua ausência no encontro dos presidenciáveis na TV Bandeirantes, que estava marcado para esta quinta (11), por recomendação médica. O seu adversário no segundo turno, Fernando Haddad (PT), afirmou que debateria "até em uma enfermaria" e fez críticas ao capitão reformado nas redes sociais.

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Violência na campanha

Os incidentes de violência que aconteceram nos últimos dias na campanha também foram abordados pelos jornalistas da rádio CBN. No domingo, após a eleição, o mestre de capoeira Moa do Katendê foi morto na Bahia, e outras pessoas relataram agressões, intimidações e pichações racistas que teriam sido feitas por apoiadores da campanha do presidenciável.

Bolsonaro afirmou, novamente, que não poderia controlar todos os seus apoiadores, mas condenou as ações violentas.

— Foram 48 milhões de pessoas que votaram em mim. Você quer que eu controle todas? Condeno, sim. Não quero o voto desse tipo de gente — declarou o candidato do PSL.

Questionado a respeito das declarações acerca da ditadura militar quando disse que "deveria ter matado 30 mil" pessoas, dadas em entrevistas à TV nos anos 1990, Bolsonaro afirmou que foram erradas e que ele "evoluiu".

— Evoluímos. Já errei. Não sou o Jairzinho paz e amor. Não tenho o dom de falar de forma meiga. Sou autêntico — declarou.

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Igualdade de gênero

Bolsonaro voltou a afirmar que os direitos iguais entre homens e mulheres são garantidos "pela CLT e pela Constituição", mas ponderou:

— O que penso é que o mercado tem de decidir. Isso é da produtividade de cada um. Qual país do mundo está discutindo isso daí? — afirmou.

O presidenciável também disse que não discriminará mulheres, negros ou homossexuais no ministério de um eventual governo.

— Vão ser 15 ministros. O da defesa vai ser homem (Heleno). Os outros 14 podem ser mulheres, podem ser gays, podem ser afrodescendentes. Quantas mulheres a Dilma tinha no governo? O que importa é que o ministro dê conta do recado — declarou.


Suspeitas de fraudes na eleição

Bolsonaro voltou a declarar que desconfia dos resultados das eleições deste ano, mas afirmou que duvida apenas do cálculo para o pleito presidencial.

— Vão às ruas, falem com o povo. Noventa por cento das pessoas não confia no sistema eleitoral. Suspeito, sim, mas da eleição para presidente. Uma funcionária minha não conseguiu votar. Esse problema existiu e não pode existir mais — declarou Bolsonaro, que recebeu 49.276.990 votos no sistema eletrônico.

Seu partido, o PSL, elegeu 52 deputados federais. O capitão reformado também fez críticas à atual proposta de reforma da Previdência e prometeu acabar com benefícios adquiridos pelos funcionários do setor público.

— A reforma do Temer nós não concordamos. Tem de reformar com qualidade. Qual o setor mais gasta? É o setor público. Temos de acabar com as incorporações. Vamos acabar com as incorporações. A farra dos marajás está aí — declarou o deputado federal.

Quando perguntado o que faria em caso de bullying relacionado à homofobia em sala de aula, Bolsonaro afirmou:

— No Ensino Fundamental, não tem de tratar (sobre o sexo). Quem tem de tratar é o pai e a mãe. O pai não quer chegar em casa e ver o filho brincando de boneca — disse.

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