Governador eleito, Carlos Moisés planeja "deixar o Estado mais enxuto, ágil, econômico" Marco Favero/Diário Catarinense

Governador eleito de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva (PSL) dedicou a segunda-feira para entrevistas à imprensa

Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

O primeiro dia de Carlos Moisés da Silva (PSL) como governador eleito de Santa Catarina foi destinado à imprensa e a um encontro com o atual governador, Eduardo Pinho Moreira (MDB). Pela manhã desta segunda-feira (29), Moisés conversou com os colunistas da NSC Comunicação Ânderson Silva e Upiara Boschi sobre as primeiras ações de governo. 

Reforçou que pretende dar atenção inicial para as áreas da saúde e infraestrutura, mas não divulgou nenhum dos nomes do seu secretariado e nem da equipe de transição que começa com reuniões com o grupo indicado por Pinho Moreira

Moisés confirmou que pretende ter a reforma administrativa aprovada ainda em 2018 na Assembleia Legislativa (Alesc). Para isso, conta com o envio do projeto por parte do atual governador. Dentro das mudanças devem estar a extinção das Agências de Desenvolvimento Regional (ADRs) e de secretarias do primeiro escalão. 

Leia abaixo a entrevista

Upiara – Nunca Santa Catarina deu um endosso tão firme a um governador eleito. Sua votação não tem eco na história do Estado. Acredita que isso vai permitir que o senhor tenha mais força na negociação política, inclusive para formar maioria na Assembleia Legislativa?

Com certeza. Penso que o respaldo popular que nos avaliza a assumir a cadeira de governador de uma forma tão destacada, com uma expressiva votação e diferença percentual de votos, nos credencia a assumir os destinos de SC. E, naturalmente, se relacionar com os outros poderes. 

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Upiara – Em quanto tempo o senhor acha que vamos conseguir ver a cara do governo Moisés, especialmente em termos de nomes do secretariado? 

Nós vamos fazer diferente. Vamos começar trabalhando ainda com o atual governo na fase de transição o desenho da máquina que a gente tem se proposto a fazer. O que foi anunciado são a extinção das secretarias regionais e a diminuição do uso de cargos comissionados. Esse desenho provoca um movimento, e ao final dele se define as pessoas para ocupar as posições. Tecnicamente a gente vai conduzir dessa forma, que é diferente do que geralmente a política faz – que é a pressa de acomodar as pessoas, os apoios. Nós pretendemos fazer diferente. Primeiro fazer a nossa reforma, aquilo que a gente pretende para deixar o Estado mais enxuto, mais ágil, mais econômico. E a partir dessa reforma começar a pensar os nomes. Temos vários nomes que se apresentam, pessoas que a gente conhece, mas a gente não se compromete. Até porque não tem o peso de vínculo partidário. 

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Anderson – O governador Eduardo Pinho Moreira (MDB) já disse que está disposto a encaminhar uma reforma administrativa conforme o novo governador adotar a ideia. O senhor pretende usar disso, encaminhar já uma reforma administrativa ainda este ano? 

Perfeitamente. É nosso plano. Com isso a gente conta naturalmente não só com o apoio do governador atual, mas também com toda a Assembleia Legislativa, que a gente entende que têm inúmeros deputados com essa vontade republicana de fazer acontecer todas as propostas que a gente  tem discutido e debatido, inclusive dos outros candidatos. Se pegar o primeiro turno, com nove candidatos, muitas propostas eram coincidentes no que diz respeito à diminuição da máquina pública. No segundo turno essas propostas também eram coincidentes no que dizia respeito à diminuição da máquina pública, cargos comissionados e secretarias regionais. Então, não se trata de uma reforma do governador Moisés ou do outro candidato, se trata de uma proposta escolhida pelo eleitor. Isso tem um peso muito alto, um valor grande, que vai ser entregue na mão dos legisladores através do atual governo. Por isso entendo até a posição do atual governador no sentido de compreender essa demanda popular pela mudança, pela renovação que aconteceu, e também pela mudança da conjuntura do próprio Estado. 

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 29/10/2018: Governador eleito Comandante Moisés visita a NSC. (FOTO: CRISTIANO ESTRELA / DIÁRIO CATARINENSE)
Colunistas Ânderson Silva e Upiara Boschi entrevistam Carlos Moisés na NSC ComunicaçãoFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Upiara – O PSL fez a segunda maior bancada na Assembleia, mas são seis das 40 cadeiras. Como o senhor pretende avançar para chegar em pelo menos 21, para garantir uma mínima minoria, e quais são os partidos podem ser primeiro procurados? O MDB é um partido com que pode conversar mais facilmente pelo apoio no primeiro turno? 

Tenho recebido apoio de vários deputados, inclusive de eleitos do próprio MDB e outros partidos também. Depoimentos públicos, através de vídeos. Nunca sentamos com nenhum deputado de outro partido, mas a gente tem acompanhado. Acredito que esse apoio público é no sentido de entender que as reformas que estamos propondo para SC são o que o eleitor espera do Legislativo e do Executivo. Então, a gente entende que não teremos nenhuma dificuldade de fazer esses encaminhamentos, de conversar com outro poder.

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Anderson – Quem vai fazer parte da sua equipe de transição? 

Nós temos vários nomes dentro da nossa equipe de transição. Desde pessoas de universidade, de colegas meus de farda. Não vamos anunciá-la aqui, se não cometeríamos muitas falhas. 

Anderson – Oficiais... 

Isso é importante que se diga. Tem vários colegas que já estão colaborando há algum tempo comigo. De forma setorial, entendemos também que o próprio governo tem a experiência da transição, no sentido de disponibilizar. Porque não há transição de um lado só. É uma via de mão dupla. Nossa equipe recebe mais informações, mais escuta em uma primeiro momento de transição para posteriormente tomar decisões. E o governo naturalmente apresenta sua própria equipe de transição.

Anderson – O senhor pretende ter oficiais militares no secretariado em pastas que não são vinculadas direta com a área de segurança? 

Não nos ocorreu essa hipótese de ter que ser um militar, um colega de farda. Temos vários nomes. Existem secretarias de Estado, como a Casa Militar, que era executiva, – é um militar que a comanda. É uma situação natural. Em outras secretarias, a gente não vê a competência no sentido de ser ou não militar. Tem que ser pessoas honestas, justas, que tenham interesse republicano e não pessoal em estar trabalhando conosco na administração. 

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Upiara – Lucas Esmeraldino por muito pouco não foi eleito senador, é o presidente do PSL de SC e foi responsável por praticamente criar o partido no Estado. Ele terá um papel no seu governo, integrará o núcleo político? 

O Lucas tem um grau de importância para o partido hoje, é uma liderança. Isso foi conquistado com o trabalho, com esforço dele. Nacionalmente também é reconhecido. Nós não sabemos qual será o chamamento para o Lucas nos próximos dias, vamos aguardar também Brasília. Hoje ele está mais articulando o próprio partido, organizando. Nós temos um partido que precisa terminar de se organizar. Todas nossas executivas municipais são provisórias, não foram instituídas de forma permanente, com direito a voto. Há uma grande missão para o Lucas. 

Ânderson – Passada a reforma administrativa, se ela for aprovada na Alesc, qual deve ser sua primeira ação ao assumir em janeiro? Para onde vai olhar primeiro: dívida, segurança, saúde? Para onde será o primeiro passo? 

Nós entendemos que com cargos já definidos em janeiro, tenho uma demanda muito grande tanto pela saúde, de fazer os procedimentos funcionarem com celeridade no atendimento à população. E fiquei muito impressionado, dentre outras coisas no Estado, com a questão da infraestrutura. A gente tem que ter ações muito fortes no que é competência do Estado. No que não for, interceder junto ao governo federal. Temos demandas represadas no que diz respeito às rodovias federais, mas nas estaduais nós vamos fazer uma verdadeira força-tarefa para poder pelo menos restaurar em um primeiro momento as condições de segurança nas vias. 

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Upiara – O senhor falou em interceder junto ao governo federal. O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) recebeu do catarinense um endosso tão forte quanto o seu. O senhor acha que essa ligação estreita pode fazer com que o Estado ganhe um olhar especial do Planalto?

Costumo dizer que um bom presidente tem que governar para todo o Brasil e um bom governador para toda Santa Catarina. Tenho muito receio de ter uma ideia bairrista de dizer que porque estamos alinhados (haverá benefício). Naturalmente, é fato, o relacionamento se estreita. Há facilidades de se conseguir, obviamente, determinados objetivos pelo estreitamento das relações. Mas penso que um bom presidente tem que fazer o país crescer como um todo, atender a todos os Estados, assim como a gente também no governo do Estado temos que atender todas as regiões de forma justa, equitativa. 

Upiara – O senhor já disse que não vai antecipar nomes, mas tenho muita curiosidade sobre quem será o dono da chave do cofre. Que critérios utilizará para escolher o secretário da Fazenda? Será um servidor de carreira? 

A ideia de um servidor de carreira atrai muito mais do que alguém que vai ser pinçado e colocado através de um indicação política. Não que isso seja proibitivo, se a pessoa tiver a condição técnica, se for uma pessoa honesta, pode ser aceita. Mas o critério principal é o desempenho. A gente entende que encontra isso nos quadros. 

Ânderson – E na sua área, que é a segurança pública, o senhor está satisfeito com o trabalho atual? Sei que você tem uma boa relação com o comandante-geral da PM, coronel Araújo Gomes. Pretende manter a equipe de comando? 

Penso que a secretaria apresentou bons resultados para Santa Catarina. Você vê os indicadores, por exemplo, de quantos reais Santa Catarina investiu em segurança e o resultado que ela teve. E isso é fruto da qualidade das pessoas que trabalham com segurança pública, nosso policial e dos gestores. Então, o que caminha muito bem, a gente entende que pode continuar. Não significa que a gente está dizendo aqui que as pessoas continuam porque a gente entende que pode avançar em algumas questões, inclusive da interligação e parcerias entre as polícias. Mas, no caso que você citou, do comando da PM. A sociedade tem aprovado o trabalho do comandante Gomes, isso é um fato notório, não só a sociedade como nós aprovamos. 

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Ânderson – Sobre outras duas áreas da segurança: Polícia Civil, onde há receio pelo fato de o senhor ser oriundo da PM, e o sistema prisional. Quais seus planos? 

Essa questão do receio é mais uma das fake news dizendo que se eu fosse eleito retiraria equipamentos ou teria tendência para A ou B. A Polícia Civil tem o seu papel, assim como a Militar e o sistema prisional. E a gente vai propor melhorias em todas as áreas no que diz respeito à recomposição do efetivo, a questão da tecnologia que não pode ser afastada porque ela vem para potencializar o números de servidores que muitas vezes não é suficiente. 

Ânderson – E em relação ao sistema prisional? Ele deixará de ter uma secretaria própria? 

A gente não anuncia... A reforma (administrativa) será feita e depois anunciada. Ela será proposta e quando isso ocorrer a comunidade saberá o que vai acontecer. 

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Upiara – A deputada estadual eleita, do seu partido, Ana Caroline Campagnolo, orientou os alunos do Estado por redes sociais que filmassem em sala de aula os professores que criticassem a vitória de Bolsonaro. Como o senhor avalia essa postura dela? O senhor endossa? 

Fica difícil avaliar uma postura de um deputado. Minha posição em relação ao professor é de que ele é a autoridade dentro da sala. Também acredito que o professor que não age com isenção em sala de aula, se tiver um viés político, também está errando. E (acredito) em colocar, mesmo na autonomia e autoridade do professor, os devidos freios éticos que permeiam e vão estar em toda  atividade profissional. 

Upiara – O que senhor espera do perfil de quem vai comandar a educação? 

Inovação. Temos que preparar as nossas gerações para o futuro de pessoas mais resilientes, pessoas que transformam a sua atividade laboral em criatividade porque o modelo que estamos adotando para o Brasil hoje é um modelo que pode se extinguir em tempo breve, algumas profissões podem deixar de existir. Então, se não aplicarmos em criatividade, o ensino tradicional pode se tornar obsoleto muito rapidamente como ele tem sido confrontada com o aluno com a informação na mão, o professor com quadro de giz. E, inclusive isso, ajuda exatamente a diminuir o abandono, a evasão escolar, além da sensação de pertencimento, de estar tendo uma aula contextualizada com o teu mundo e não
algo do passado. 

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Ânderson – A Casa da D’Agronômica, o senhor pretende usar como residência oficial ou um espaço para reuniões? 

Vou começar a me aproximar agora do governo, e isso é compreensível, para entender como funcionam todos os serviços, tudo que fica à disposição, tanto do governador como do governo, para que possa estar fazendo nossos filtros. Porque a gente entende que o governo tem que ser comedido, tem que apertar o cinto assim como também todos o servidores, como a reforma tem que ser refeita. Então penso que (a Casa D’Agronômica) está à disposição do governador, mas é patrimônio do povo de Santa Catarina. 

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Upiara – O senhor se compromete a não trazer deputados para o governo? 

Eu costumo dizer que é quase um ato de desconsiderar a fé do eleitor. Ele foi eleito para ser deputado. Penso que esse é um unanimidade entre as pessoas comuns. Pode não ser entre o meio político, porque você tem o suplente, tem que fazer isso girar. Deputado deve continuar sendo deputado. 

Ânderson – Rodovias e concessões: o senhor pretende analisar a infraestrutura a partir dessa ótica da concessão? 

Não, eu penso que como eu tenho defendido, as concessões podem ser feitas de diversas formas. Nem toda concessão significa pedágio. E essa é uma possibilidade de a gente aproveitar esse potencial arrecadatório do Estado para conceder marginais, atividades comerciais ao longo da rodovia. O Estado tem condições de, enxugando a máquina pública, dar resposta que o cidadão precisa na manutenção da sua malha viária.

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