Inovação tecnológica avança em Santa Catarina Cristiano Estrela/Diário Catarinense

Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Com  R$ 15,5 bilhões em faturamento e exportando para os cinco continentes, o  setor de tecnologia representa 5,6% da economia de Santa Catarina. São  12,3 mil empresas, com receita média de R$ 1,255 milhão, mais de 16 mil  empreendedores e aproximadamente 47 mil colaboradores. Esse importante  segmento se destaca como um dos mais promissores para o crescimento do  Estado. Não apenas pelos números, mas pelo impacto direto na  modernização das cadeias produtivas, tais como metalmecânica, têxtil,  agroindustrial e construção civil.

Dados mostram que o setor cresceu  cerca de 10.000% desde 1986. Hoje o Estado é o terceiro maior do Brasil  em densidade de colaboradores (relação entre o número de pessoas que  trabalham no setor de tecnologia por 100 mil habitantes), perdendo  apenas para o Amazonas e o Distrito Federal. Em faturamento médio, ocupa  a quarta posição. Entre 2015 e 2017, o número de empresas catarinenses  de tecnologia subiu 3,42%, impulsionado principalmente pelas regiões  Serrana e Oeste, que tiveram  aumento de 10,44% e 4,75% na quantidade de  empresas, respectivamente.

O desempenho positivo do setor em SC é  atribuído à cadeia de apoio aos empreendedores. Uma das instituições que  integram o sistema é a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate).
–  A Acate é o suporte para que os talentos que frequentam as  universidades criem suas próprias empresas e disponibilizem inovações  para o mercado, aumentando a produtividade de outras indústrias e  movimentando a economia – diz Daniel Leipnitz, presidente da Acate,  criada em 1986.

Os polos de tecnologia estão distribuídos por todo  território catarinense, com destaque para vários municípios. As empresas  da Grande Florianópolis (incluindo São José e Palhoça) faturaram R$  6,4 bilhões em 2017, ultrapassando o setor de turismo e se consolidando  como a principal geradora de impostos para a região, de acordo com a Acate. Um feito e tanto para o segmento que no início dos anos 2000 não figurava sequer entre as cinco primeiras fontes de arrecadação.

Atualmente  Florianópolis tem o maior polo de tecnologia do Estado, com cerca de 4  mil empreendimentos que empregam 16,5 mil pessoas. É o segundo do país  em densidade de empresas por habitantes, atrás apenas de São Paulo, e  lidera o ranking brasileiro de densidade de colaboradores: a cada 1 mil  habitantes, 25 trabalham no setor de Tecnologia da Informação e  Comunicação – TIC.  Em relação ao faturamento médio, fica com a quarta  posição, com R$ 1,8 milhão por empresa.

O polo de Blumenau ocupa a  quinta posição no ranking de faturamento médio, com R$ 1,68 milhão. O  Vale do Itajaí concentra o segundo maior número empreendimentos – são  3,3 mil negócios. Também é vice-líder em número de empreendedores, com  4,3 mil, e 10,3 mil colaboradores.

O polo de Joinville ocupa o sétimo  lugar do ranking nacional quando se analisa o faturamento médio das  empresas, com R$ 1,2 milhão, à frente de grandes centros como São Paulo.  Sua região, o Norte catarinense, tem o maior percentual de  empreendedoras no setor, o que corresponde a 30,3%. As mulheres  representam ainda 43,5% da força de trabalho – a maior participação  feminina do Estado. Outro destaque da mesorregião é a proporção de  empreendedores com nível superior — 67,7%, a maior de Santa Catarina.
Na região Oeste, são 1,2 mil empresas, que faturam R$ 1,2 bilhão e empregam
4,6  mil pessoas. Já o polo tecnológico da região Serrana apresenta R$ 481  milhões em faturamento, somando 392 empreendedores e 336 companhias.  Três mil pessoas trabalham em tecnologia da Serra.

A região Sul também está se consolidando como polo tecnológico, com 948 empresas de tecnologia, que faturam R$ 857 milhões e contam com cerca de 3  mil colaboradores. Além do destaque para Tubarão, a região ganha força  com a aprovação da lei de inovação tecnológica de Criciúma.
–  Inovação é uma das prioridades, pois a competitividade da indústria  depende cada vez mais disso. A proposta é gerar valor na cadeia  produtiva, estimulando o desenvolvimento de uma cultura para a inovação –  afirma Mario Cezar de Aguiar, Presidente da Federação das Indústrias do  Estado de Santa Catarina (Fiesc).

 A tecnologia catarinense em números:

R$ 15,5 bilhões
Faturamento

5,6%
Participação no PIB de SC

12,3 mil
empresas

receita média de
R$ 1,255 milhão

+ de 16 mil
empreendedores

47 mil
colaboradores

Origem do ecossistema de tecnologia
Nunca  se ouviu falar tanto em ecossistema de inovação, associação de empresas  de tecnologia e startups, mas quando isso começou? O ponto de partida  desta revolução é a instalação da Universidade Federal de Santa Catarina  (UFSC), em 1960, mas foi em 1984, impulsionada pela Lei da Informática –  promulgada no mesmo ano, e pelas ideais do professor Carlos Alberto  Schneider que o setor começou a tomar forma. Primeiro, com a criação da  Fundação Certi, inicialmente concebida para ser um Centro Regional de  Tecnologia em Informática, e depois com o reforço da Acate, em 1986.

A  Fundação teve origem nas atividades do Laboratório de Metrologia  do Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC (Labmetro), referência  nacional em metrologia, instrumentação e automação. Nasceu  direcionada à pesquisa tecnológica aplicada, para dar forma a produtos e  processos inovadores, mas ao longo de sua história se transformou em  uma multiplicadora de empresas de tecnologia.
 – Em 1986, um  conselheiro da Certi perguntou por que nós não tínhamos projetos para  Florianópolis, nós trabalhávamos apenas para Joinville, Blumenau e São  Paulo. Eu respondi: em Florianópolis não tem indústria. Neste mesmo ano,  surgiu a discussão sobre como criar empregos na Capital. Fizemos a  proposta para promover a criação de novas empresas, com apoio de governo  do Estado e prefeitura. Mas qual o tipo de indústria? Têxtil, de  turismo? Então eu disse: vamos fazer a indústria do futuro, a de  informática – recorda o professor Schneider, fundador e presidente do  Conselho de Curadores da Fundação Certi.

 Gestão de valores - professor Carlos Alberto Scheneider, fotografado na fundação Certi, na UFSC.
Foto: Felipe Carneiro / Diário Catarinense

Conforme Schneider, o projeto começou com a criação de um condomínio para pequenas em presas que existiam na época. Embalado  pela provocação de gerar empregos em Florianópolis em uma época em que a  cidade estava voltada apenas para o serviço público e para o turismo, o  professor Schneider vislumbrou a possibilidade de apoiar os  empreendedores que faziam pesquisas nos laboratórios da Ufsc. Surgiu  então o Celta, a primeira incubadora de empresas tecnológicas do Brasil –  que foi instalada na Rua Lauro Linhares, na Trindade bairro da Capital.
– Foi assim que começamos a operar a incubadora como ambiente para novas empresas de tecnologia – completou.

De  início a Certi atendia predominantemente indústrias de Blumenau,  Joinville. Com o tempo, ganhou o mundo e mudou a denominação, em 1994,  para Centro de Referência em Tecnologias Inovadoras, pois o termo  regional não traduzia seu alcance real. Naquela época a Fundação já  produzia tecnologia para os principais eixos industriais de Santa  Catarina e de São Paulo, entre outros.
O Celta tornou-se referência  para a América Latina, quando passou a ter sede própria em 1995 na então  chamada Softpolis – hoje Parque Tecnológico – Alfa, primeiro polo  criado no Estado.


O ecossistema catarinense de inovação não aconteceu  por acaso. Foi planejado em uma ação que entrelaçou universidade,  indústria, governo e a sociedade. Foi moldado como um distrito de empresas de informática e com  as chamadas Empresas de Base Tecnológica – EBT que, por conta da modernização das nomenclaturas, transformaram-se em startups.

Exemplos de Sucesso
Se  ainda está difícil para visualizar os feitos da Certi, é bom saber que  em sua casa provavelmente tem tecnologia gerada por lá. Se a sua TV é  digital, aí está um bom exemplo. O sistema de convergência digital usado  no Brasil esta em todos os aparelhos digitais usados no país e foi  desenvolvido por pesquisadores da Certi. Além disso, a Fundação também é  referência em sistemas inteligentes para a indústria aeroespacial e com  a parceira a Embraer faz a tecnologia produzida na Capital voar por  todo planeta. A urna eletrônica, usada nas eleições desde 1996 e que  garante a celeridade das apurações em Brasil também foi desenvolvida  pela Certi.
No momento um dos desafios é a consolidação das redes de  postos para carros elétricos. O projeto do Eletroposto desenvolvido em  parceria com a Celesc já possibilita viajar de Florianópolis ao Rio de  Janeiro abastecendo em postos “Made in SC”. Hoje o município de Jaraguá  do Sul tem a maior frota de carros elétricos do país em função de  projetos com oeste. E estão por vir às novas parcerias para a construção  do primeiro aeroporto 4.0 do país e para a criação do primeiro hospital  4.0. Essa revolução que acontece aqui no quintal de casa é a mola  propulsora de inovações.

União de esforços para garantir o crescimento
O  sucesso do ecossistema catarinense de inovação está relacionado à  capacidade de se estabelecer parcerias. Assim somam aos projetos  tecnológicos  esforços de agentes públicos, Acate, FIESC, sociedade, e  agora entra com força neste circuito de inovação o Sebrae, com a  inauguração do SebraeLab – focado no desenvolvimento de novas  iniciativas, conexão entre empreendedores e o apoio à economia criativa –
e o Sistema Fecomércio-SC, que busca estimular a cultura da inovação.
–  O Sebrae é o elo entre os atores, entre a Acate, a Certi e os  empreendedores. O Startup SC, criado em 2013 em parceria com o governo  do Estado, tem o objetivo de desenvolver e fortalecer as Startups  catarinenses. É um programa que incentiva a inovação para todos os  setores da economia – ressalta Alexandre Souza, gestor do projeto  Startup SC do Sebrae/SC.

O futuro também passa pelo Sapiens, um  parque tecnológico em consolidação em Florianópolis. Administrado pela  Certi, tem a proposta a de atuar em rede, com quatro clusters  sustentando os pontos focais do Sapiens: tecnologia, turismo, serviços
e público.
–  O setor de tecnologia e informação é o principal parâmetro de  competitividade nos tempos atuais. Sem inovação não há ganhos  substanciais de produtividade, elemento central para o bom desempenho  econômico de uma região – resume Bruno Breithaup, presidente do Sistema  Fecomércio Sesc Senac.

Fundação Certi em números

269
Colaboradores

R$ 63,3 milhões
Receita anual

91
Projetos executados

667
Clientes atendidos

Concurso de Startups
Para  destacar a contribuição do setor de tecnologia à economia de Santa  Catarina, a NSC Comunicação promove um concurso estadual de startups.  Inscreva seu case até o dia 19 de outubro no site  www.nsctotal.com.br/gestaodevalor.  Inscrições no link
bit.ly/concursogestao.

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