Primeiro veleiro de expedições científicas do Brasil é lançado em Santa Catarina Felipe Carneiro/Diário Catarinense

Foto: Felipe Carneiro / Diário Catarinense

O primeiro veleiro construído exclusivamente para expedições científicas no Brasil foi lançado nesta quarta-feira (17), em Florianópolis. A embarcação batizada de Eco é o resultado de um trabalho de seis anos, de alunos, professores e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O barco será usado para pesquisas científicas na área de oceanografia. A UFSC possui um curso de engenharia nesse setor. O objetivo da embarcação é coletar dados que ajudem a expandir os conhecimentos sobre a vida marinha brasileira.

Segundo o idealizador do projeto, professor Orestes Alarcon, o barco deverá fazer algumas viagens de teste na costa catarinense nos próximos meses, até iniciar a primeira missão, no início de 2019. Além da UFSC, outras instituições de ensino nacionais e internacionais podem participar dos projetos de pesquisa promovidos com o veleiro.

— A primeira expedição vai ser em fevereiro, nas Ilhas de São Pedro e São Paulo e Ilha da Trindade. São os dois pontos mais distantes da costa brasileira. Precisamos saber omo eles estão sendo afetados pela poluição, como está a comunidade viva ao redor desse arquipélago, mas também tem a ver com uma estratégia de defesa da soberania nacional — diz Alarcon.

De acordo com ele, a presença de pesquisadores brasileiros nessas duas áreas é importante para que o Brasil cumpra compromissos internacionais que assumiu ao solicitar a posse dessas ilhas. Além disso, ele ressalta que as expedições científicas realizadas com o veleiro tendem a ser mais baratas, em relação a outras embarcações.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 17-10-2018 - Veleiro de pesquisas marinhas da UFSC é batizado no trapiche da avenida Beira-Mar Norte.
Idealizador do projeto se emocionou durante o discurso de lançamento do projetoFoto: Felipe Carneiro / Diário Catarinense

Sobre o barco

O veleiro tem 60 pés de comprimento, o que equivale a 20 metros, e outros 5,3 metros de largura. O casco foi construído em alumínio, com equipamentos que permitem a navegação em diversas áreas, como mangues, zonas de águas rasas e também em águas profundas. 

O barco pode levar até 8 pesquisadores para expedições longas, além de dois tripulantes. Para missões curtas, sem pernoite, até 20 pessoas podem ser levadas.

Além de equipamentos para a coleta de material da água, o barco possui laboratórios que podem ser usados para análises preliminares dos itens que forem retirados do mar. Até agora, o investimento para a construção do barco já chegou a US$ 2 milhões.

Expedições em Santa Catarina

Além das ilhas distantes, o barco deverá ser usado para pesquisas dentro de Santa Catarina. No evento de lançamento do veleiro, o presidente do Instituto do Meio Ambiente (IMA) do Estado,  André Adriano Dick, anunciou uma parceria, para que os pesquisadores avaliem as condições da Baía da Babitonga, na região de Joinville.

— Entendemos que a sustentabilidade deve ser verificada, porque é uma área de expansão do Estado — afirmou Dick

Alarcon lembra que as expedições científicas com o veleiro tendem a ser mais baratas do que as realizadas com outras embarcações. De acordo com ele, a autonomia das viagens pode chegar a até 4 mil milhas náuticas, o que dá cerca de 7,4 mil quilômetros.

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