Prova Real: desmentimos as "fake news" que podem interferir no seu voto Facebook/Reprodução

Foto: Facebook / Reprodução


 Às vésperas da votação, o Prova Real esclarece os mitos e boatos que circulam pelas redes sociais e WhatsApp disseminando conteúdos falsos sobre o voto, as urnas eletrônicas e o processo eleitoral. Confira e compartilhe:

Voto não é invalidado se eleitor votar em um só cargo e optar por nulo ou branco nos demais

A checagem abaixo foi produzida pelo Projeto Comprova, iniciativa que reúne a NSC Comunicação e outros 23 veículos de mídia do país no combate à desinformação nas Eleições 2018 

FALSO -  O voto não é anulado quando o eleitor vota apenas para presidente e escolhe a opção "branco" para os demais cargos em disputa.

É falsa a informação de que votar apenas para presidente da República e escolher a opção branco para os demais cargos em disputa nesta eleição faz com que o voto do eleitor seja classificado como "parcial" e, por essa razão, seja anulado. Na verdade, os eleitores, se assim desejarem, podem votar em apenas um candidato, sem qualquer prejuízo para eles ou para os candidatos que receberão os votos.

O boato, disseminado principalmente no WhatsApp, afirma que o voto só é computado como válido quando ele é "completo". Ou seja, quando o eleitor escolhe, além de presidente, deputado federal, deputado estadual, governador e dois senadores. A orientação, segundo a informação falsa, teria surgido após o autor do boato passar por um suposto "treinamento” da Justiça Eleitoral para a votação do dia 7 de outubro.

Como verificado pelo Comprova, órgãos da Justiça Eleitoral, caso do Tribunal Regional do Espírito Santo (TRE-ES), do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), além do próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), veicularam, em suas páginas e redes sociais, esclarecimentos sobre o boato.

"Se o eleitor confirmar pelo menos um voto, deixando de concluir a votação para os demais cargos, este voto será aceito e serão considerados nulos os votos não confirmados", diz trecho do texto divulgado no Facebook do TSE.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também esclareceu que o voto em branco acontece quando o eleitor aperta a tecla "branco" na urna e, em seguida, pressiona o botão confirma. O voto nulo ocorre quando é digitado um número que não é o de nenhum candidato ou partido. Tanto o voto branco quanto o voto nulo não são somados como votos válidos. Isso não quer dizer, porém, que eles não sejam contabilizados ou que resultem na anulação de algum outro voto válido.

"A Justiça Eleitoral lembra que votos brancos e nulos são descartados, não sendo contabilizados na hora da apuração do voto. E se deixar de votar em outros candidatos, seu voto, por completo, não será anulado", diz outro trecho. 

A resolução 23.554/2017, do TSE, traz no parágrafo segundo do artigo 117 outra situação de anulação de votos, que é quando o eleitor confirma pelo menos um voto e abre mão de concluir o processo. Nesse caso, o presidente da mesa receptora de votos alerta o eleitor e pede para que ele retorne à cabine. Caso se recuse, os votos não depositados serão considerados nulos. Em seguida, o presidente da mesa, com um código próprio, libera a urna eletrônica para o prosseguimento das votações.

Essa situação, contudo, também não guarda relação com a afirmação falsa do boato. Isso porque o voto para presidente é o último. E, para chegar à etapa derradeira da votação, o eleitor terá que ter tomado uma decisão com relação aos demais cargos, seja para dar um voto válido, branco ou nulo.

Sem autoria, data ou fontes, o boato circula, por mensagem de texto, no WhatsApp e em outras redes sociais. A corrente foi enviada por mais de 200 eleitores para verificação do Comprova, via WhatsApp do projeto.

É falso que se votos nulos forem maioria a eleição é anulada e forçará novo pleito com novos candidatos  

FALSO - Mesmo se mais de 50% dos eleitores votarem nulo, a eleição não será anulada. Isso porque o Tribunal Superior Eleitoral considera como resultado das eleições apenas os votos válidos, que excluem os votos brancos e nulos. 

Muitos eleitores podem até se confundir com o significado do termo “nulidade” que consta do artigo 224 do Código Eleitoral. Na verdade, o termo se refere a votos anulados pela Justiça em razão de alguma irregularidade, como cassação de candidato eleito por compra de votos, por exemplo, e não a votos nulos. Portanto, o eleitor que vota nulo manifesta o seu descontentamento, mas não influencia no resultado da eleição.

É falso que votos brancos vão para o candidato que estiver com mais votos 

FALSO - É falso que o voto em branco sirva para beneficiar um candidato. O voto branco não influencia em nada no resultado da eleição, pois não é considerado válido. 

O voto em branco é oferecido como uma possibilidade ao eleitor que não quer votar em nenhum candidato mas tem de cumprir a obrigação de comparecer à urna e marcar alguma opção. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, "o eleitor, a despeito de ser obrigado a comparecer, não é obrigado a escolher tal ou qual candidato, ou mesmo a escolher candidato algum", por isso, tem a opção do voto em branco, que serve exclusivamente para isso.

O mito de que voto em branco serviria para o candidato à frente na votação surgiu com base no antigo Código Eleitoral, que incluía os brancos na contagem para o quociente eleitoral. Mas essa regra caiu com o novo Código Eleitoral, em vigor desde 1997. 

PF não apreendeu van com urnas adulteradas 

 A checagem abaixo foi produzida pelo Projeto Comprova, iniciativa que reúne a NSC Comunicação e outros 23 veículos de mídia do país no combate à desinformação nas Eleições 2018  

FALSO - A Polícia Federal informou que não há nenhum registro de ocorrência do tipo e não foram encontradas notícias publicadas sobre o assunto pela Record.

É falso que a Polícia Federal (PF) tenha feito uma apreensão de uma van com urnas eletrônicas adulteradas e que a Rede Record tenha noticiado isso, como indica uma mensagem que passou a circular no WhatsApp.

O boato afirma que, dos 152 equipamentos que teriam sido confiscados, 121 estariam "preenchidas com voto para o Haddad com pelo menos 72% dos votos". 

Procurada, a PF informou que não há registro de uma ocorrência do tipo. No site da instituição, também não existe qualquer referência a recolhimento de urnas eletrônicas.

Buscas no site da Record TV e no portal R7 não indicam nenhuma matéria recente sobre apreensão de urnas eletrônicas. Outros veículos de imprensa também não reportaram nenhum caso como o descrito na corrente. 

O site E-farsas e a campanha do PT também desmentiram essa peça de informação.

É falso o comunicado atribuído ao PT que pede aos eleitores para irem votar somente na segunda-feira 

A checagem abaixo foi produzida pelo Projeto Comprova, iniciativa que reúne a NSC Comunicação e outros 23 veículos de mídia do país no combate à desinformação nas Eleições 2018

FALSO - As informações da montagem são falsas. O TSE determina que a votação será das 8h às 17h do domingo, dia 7 de outubro.

É falsa a mensagem que circula em aplicativos como o WhatsApp e que pede aos eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT) para irem votar apenas na segunda-feira, dia 8 de outubro.

A imagem que simula um comunicado aos eleitores tem a foto do ex-presidente Lula, do candidato à presidência da República, Fernando Haddad, e da candidata à vice-presidência, Manuela D´Ávila (PC do B), com um texto. 

"Em virtude dos protestos e manifestações que poderão ocorrer no dia 07 de Outubro contra o nosso Partido (PT), nossos eleitores estão sendo convocados a irem votar no dia 08 de Outubro. Prezamos pela segurança de todos, com isso os mesmos serão contemplados com Café ou suco, pão com mortadela e frutas vermelhas em suas Zonas Eleitorais, para os que trabalham, esses receberão no término da votação o atestado que dará o direito de folgar durante a semana inteira do dia 08 ao dia 11 de Outubro, emendando com o feriadão e retornando as atividades (seja ela qual for) apenas no dia 15. Que beleza, não? Não esqueçam. ELEITORES E COMPANHEIROS NOSSO DIA DE VOTAR SERÁ 08 DE OUTUBRO segunda-feira. COMPARTILHEM e ajude a democracia vencer em nosso Pais [sic]", explica o falso comunicado.

O Comprova verificou no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o Calendário Eleitoral para as eleições de 2018. O documento, disponível a todos, destaca de forma objetiva, baseado na Lei nº9.504/1997 que o dia 7 de outubro é a data para votação do primeiro turno das eleições, explicitado também na resolução nº 23.554. E de acordo com o artigo 144 do Código Eleitoral (Lei 4737/65) o período votação é das 8 às 17 horas.

O próprio site da campanha “Brasil feliz de novo”, do PT e do PC do B, desmente o “comunicado”. A postagem chama a peça de “covarde, além de mentirosa”, e ainda afirma que “essas não são promessas do Partido dos Trabalhadores e não correspondem à legislação eleitoral. A eleição é um processo democrático regulado por lei e o voto, secreto, não é um fator que determina as zonas eleitorais”.

O Comprova recebeu a peça por denúncias dos internautas através do seu Whatsapp. A imagem do comunicado falso foi a segunda mais encontrada pelo rastreador de conteúdo viral no Whatsapp do projeto Eleições sem Fake da UFMG na terça-feira, 2 de outubro. 

A agência de checagem Lupa e o Fato ou Fake, do G1, também confirmaram a falsidade do material.

Forças armadas não solicitaram ao TSE perícia nas urnas eletrônicas 

A checagem abaixo foi produzida pelo Projeto Comprova, iniciativa que reúne a NSC Comunicação e outros 23 veículos de mídia do país no combate à desinformação nas Eleições 2018

FALSO - As Forças Armadas negam ter enviado a solicitação e o TSE nega tê-la recebido.

Não é verdade que as Forças Armadas exigiram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma perícia nas urnas eletrônicas. Em texto apócrifo que circula no WhatsApp e em redes sociais, há o rumor que oficiais do Exército, Marinha e Aeronáutica enviaram um comunicado oficial à presidente do TSE, ministra Rosa Weber, por receio de fraude nas votações. No entanto, o órgão nega a existência de uma comunicação do tipo.

Para checar a veracidade da corrente, o Comprova entrou em contato com as assessorias do TSE e das Forças Armadas — ambas as instituições negaram o boato. 

"O Exército não solicitou ao TSE nem recebeu qualquer determinação para participar de perícia, avaliação ou auditoria técnica do funcionamento e segurança dos equipamentos eletrônicos de apuração", diz nota enviada pelo Exército ao Comprova. 

O Comprova também buscou nos comunicados oficiais e no site do Exército referências a urnas eletrônicas, sem resultados.

A equipe de verificação do boato ainda buscou localizar a foto original utilizada em uma publicação no Facebook com o texto enganoso. Ela foi feita no Quartel-General do Exército, em Brasília (DF), em setembro de 2017, e divulgada no site do Exército. 

Na ocasião, estava sendo realizada a "301ª Reunião do Alto-Comando do Exército" (RACE), em Brasília. Segundo o site do Exército, durante o encontro, os presentes discutiram assuntos na esfera do planejamento estratégico da instituição, “com decisões relacionadas à carreira, à profissão militar e aos meios disponíveis atualmente para o cumprimento das missões constitucionais”.

Já a foto que acompanha o mesmo texto enganoso em uma publicação no Twitter foi encontrada pelo Comprova na mesma rede social, mas em um tuíte do general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército brasileiro. O post também é de setembro de 2017. 

Rumores sobre fraudes no sistema de votação têm sido frequentes durante a campanha. Segundo o TSE, o voto eletrônico emprega segurança em camadas. Isso quer dizer que qualquer ataque ao sistema causa um efeito dominó, que impossibilita que uma urna comprometida gere resultados válidos.

O TSE encomenda auditorias e perícias de instituições independentes. Da mesma forma, antes de cada eleição é realizado um Teste Público de Segurança do sistema eletrônico de votação, de acordo com a Resolução-TSE 23.444/2015. No dia da eleição, ocorre mais uma verificação: fiscais de partidos políticos e coligações, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de entidades representativas da sociedade fazem uma "votação paralela". O objetivo é atestar os dispositivos de segurança e a veracidade dos resultados de urnas sorteadas.

Além do WhatsApp, o boato também foi compartilhado no grupo do Facebook "Apoio ao dr Sérgio Moro e Lava Jato e a FFAA", com 9,5 mil compartilhamentos, e no Twitter pelo usuário @arthur_slo, com 951 retweets.

Leia mais publicações do Prova Real

O Prova Real é a iniciativa de fact-checking e debunking da NSC Comunicação. Você também pode sugerir temas pelo e-mail provareal@somosnsc.com.br ou pelo WhatsApp (48) 99188-2253.  

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